Fonte: Banda B
Um relatório divulgado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta quarta-feira (30) causou um intenso debate sobre o papel da Polícia Militar no país. O documento recomenda que a PM seja abolida no Brasil e mostrou exemplos de polícias no mundo que funcionariam muito bem sem serem militarizadas. O sociólogo e especialista em segurança pública Pedro Bodê conversou com a Banda B na tarde desta quinta-feira (31) e afirmou ser favorável a essa desmilitarização, mas frisou que no contexto brasileiro é muito difícil que isso aconteça.
“A polícia considerada ideal pela ONU é uma próxima da comunidade, que respeite os direitos humanos das pessoas, então uma das recomendações da organização é a desmilitarização, porque o modelo militar não se adequaria a população civil”, comentou.
A abolição da PM foi uma sugestão feita pela Dinamarca, que pede a aplicação de medidas mais eficazes para reduzir a incidência de execuções extrajudiciais.
Bodê disse ainda que essa desmilitarização esteja distante no Brasil, já que a nossa realidade é diferente da européia. “Existem lobbys políticos que influenciam na continuidade da PM, mas tenho uma esperança de que isso possa acontecer”, exclamou.
O relatório destaca a necessidade de o Brasil garantir que todos os crimes cometidos por agentes da ordem sejam investigados de maneira independente e que se combata a impunidade dos crimes cometidos contra juízes e ativistas de direitos humanos.
Para Bodê, o Brasil precisa ter um modelo de polícia próprio e com a participação da comunidade. “A população reclama, mas não faz nada para tentar melhorar, falta um debate qualificado para que tenhamos uma polícia que atenda adequadamente todos nós”, explicou.
O sociólogo lembrou da última cena do filme Tropa de Elite 2, em que o personagem Capitão Nascimento afirma que “a Polícia Militar do Rio de Janeiro tem que acabar” e disse que isso se encaixa em uma interpretação do relatório. “Hoje existem setores da PM que entendem e apostam em uma reestruturação, uma pesquisa mostra que 65% não gostam do atual modelo, mas a resistência ainda é muito forte”, completou.






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