Fonte: Jornal de Brasília
Construtora investigada pagaria “por fora” para serviço de segurança
Aanálise do material apurado com a investigação da Operação Monte Carlo aponta para novos indícios sobre o envolvimento de policiais militares e civis do Distrito Federal com empresas e pessoas ligadas ao contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Dois praças e um oficial da PM estão sob investigação da Corregedoria- Geral da corporação por, supostamente, prestarem o serviço clandestino de segurança privada para a empreiteira Delta Construções, responsável por mais de 70% da coleta seletiva de lixo do DF.
Gravações de interceptações telefônicas são analisadas pela corregedoria. Os policiais receberiam até R$ 4 mil pelo serviço irregular. Os militares da corregedoria receberam gravações feitas por meio das interceptações telefônicas envolvendo tanto os praças quanto o oficial. “A Polícia Federal fez uma filtragem do material, que conta com mais de dez volumes e nos enviou. Ainda estamos ouvindo as gravações e analisando todo o conteúdo envolvendo esses integrantes da corporação. Não precisamos afastá-los das funções porque a Justiça já havia determinado”, explicou o coronel Francisco Carlos da Silva Niño, que ocupava o cargo de corregedor-geral até o início da semana e foi transferido para a chefia de Estado Maior da PM.
Mesmo antes da abertura de processo disciplinar na corregedoria, um cabo e um sargento tiveram suas funções públicas suspensas pela Justiça Federal. Logo em seguida, com o envio de um farto material repassado pela Polícia Federal, a PM instaurou o procedimento para investigar os praças. Apenas o oficial suspeito de envolvimento, um coronel, permanece no exercício de suas funções.
Francisco Niño explicou que ainda é preciso determinar, com precisão, qual era a suposta função de cada um dos militares no esquema ligado ao bicheiro. “Temos mais material sendo enviado pela PF antes de concluirmos os processos. São dados importantes que ainda não foram analisados. Também vamos ouvir cada um dos três militares que são citados nas interceptações”, destacou o novo chefe de Estado Maior.
EM APURAÇÃO
O coronel que está sob investigação é apontado dentro da corporação como um dos oficiais mais operativos da história da Polícia Militar do Distrito Federal. No final dos anos 90, ele participou de uma das edições do curso de operações especiais da PM junto com outros 40 militares. Ele foi o único a suportar o duro treinamento e se formar. O coronel também passou pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
A corregedoria da corporação também não afastou a possibilidade de existir um grupo maior de militares envolvido com supostas irregularidades, como o vazamento de informações privilegiadas de operações policiais para o fechamento de casas de jogos e o recolhimento de máquinas caça-níqueis.
Contraventor beneficiado
Indícios citados no inquérito da Polícia Federal sobre operações “ar – madas” por policiais militares e civis para defender os interesses de Cachoeira também constam nas interceptações telefônicas. De acordo com informações da Polícia Federal, o grupo do contraventor pagava entre R$ 3 mil e R$ 4 mil para que policias participassem das operações direcionadas a concorrentes de Cachoeira que mantinham bingos funcionando no DF e Região Metropolitana. O esquema contaria com a participação de Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, considerado um dos líderes do esquema de Cachoeira.
DENTRO DO ESQUEMA
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil do DF também conduz um processo disciplinar contra dois agentes de polícia apontados como integrantes do grupo de Cachoeira. A participação de um deles, que já foi lotado na Divisão de Operações Especiais (DOE), era informar e provocar operações para o fechamento de casas de bingos que concorriam com os negócios de Cachoeira.
Uma destas operações ocorreu em 3 de março do ano passado e teria sido uma resposta às constantes cobranças feitas por Cachoeira à Dadá sobre o funcionamento de bingos concorrentes em Brasília. A operação contra o “Bingo do Paraíba”, então localizado na quadra 711 Norte, teria sido articulada dois dias antes por meio de ligações entre os policiais e os articuladores do grupo de Cachoeira.
SAIBA +
A Polícia Federal suspeita que a operação para fechar o bingo concorrente de Cachoeira, que ficava na Asa Norte, não foi um caso isolado e que outras operações direcionadas ocorridas no DF também foram realizadas com a anuência de Dadá e Cachoeira. Ambos estão presos. Cachoeira está na ala federal no Complexo Penitenciário da Papuda e Dadá está em ala militar, por ser da Aeronáutica.
Os tentáculos de Cachoeira nos órgãos de segurança pública de Goiás também foram flagrados pela PF. Em algumas interceptações telefônicas, homens de confiança do contraventor negociava com oficiais da PM goiana até a possibilidade de promoções a militares da corporação. Em troca, os bingos recebiam proteção.






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