LUCAS VETTORAZZO – Folha de São Paulo
A inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), registrou alta de 0,64% em abril, ante variação de 0,21% em março. Esta é a maior alta desde abril de 2011 (0,77%).
O índice foi divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (9).
No acumulado no ano, o indicador registra variação de 1,87%, abaixo da taxa de 3,23% relativa a igual período de 2011. Na relação dos últimos 12 meses, a alta é de 5,10%, inferior aos 5,24% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores.
A alta dos preços preocupa o governo que tem como um dos focos para aquecer a economia o aumento da demanda interna. No entanto, o poder de compra do consumidor eleva os preços devido a pressão da oferta e da procura, o que contraria a intenção do governo de manter os preços sob controle. Um dos mecanismos de controle para segurar o consumo é encarecer o crédito — elevando a taxa de juros básica, a Selic. Essa equação — juros em queda e inflação em alta — pode ser um grande impasse ao governo.
COMPONENTES
Segundo o IBGE, boa parte da pressão veio do subgrupo despesas pessoais, influenciado pelo reajuste de 15,04% dos cigarros em vigor a partir de 6 de abril. Além dos cigarros, contribuiu para elevação dos preços os salários dos empregados domésticos (de 1,38% de março para 1,86% em abril). Outros itens exerceram pressão no grupo das despesas pessoais, a exemplo das excursões (1,88%), hotéis (1,63%) e serviços bancários (1,42%).
Os remédios subiram 1,58% em abril após 0,02% em março, e também tiveram forte influência sobre o índice, sendo responsáveis pela alta do subgrupo saúde.
Assim, aponta o instituto, os subgrupos despesas pessoais e saúde foram responsáveis por 38% da composição do IPCA de abril.
Outros gastos influenciaram o índice do mês, como o vestuário, que, com a entrada da nova coleção sazonal, aumentaram 0,98% ao passo que, em março, haviam apresentado queda de 0,61%.
Os gastos com habitação subiram de 0,48% em março para 0,80% em abril, enquanto comunicação passou de -0,36% para 0,46%. Nos subgrupos citados, destaque para os aluguéis subiram bem mais, indo para 0,82%, enquanto em março haviam ficado em 0,45%. O condomínio também subiu mais, passando de 0,48% para 1,01%. Em comunicação, a alta foi puxada pelas ligações da telefonia fixa para móvel que aceleraram de -1,07% para 0,57%.
Nos gastos com transportes (de 0,16% para 0,10%), embora itens como passagens aéreas (de 1,34% para 2,06%) e táxi (de 0,19% para 1,44%) tenham mostrado significativo aumento de preços, outros gastos importantes no orçamento do consumidor se mostraram em queda.






Comments are closed.