Edson Luiz
Da equipe do Correio
O ministro da Justiça, Tarso Genro, criticou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que cobrou maior rigor do governo brasileiro no combate ao suborno. A organização, integrada pelos países mais ricos do mundo, zela pelo respeito às regras de mercado e à democracia representativa em todo o mundo. Conforme a entidade, o Brasil não tomou as medidas necessárias para responsabilizar juridicamente pessoas que fazem pagamentos irregulares a funcionários públicos. Em resposta à entidade, o ministro disse que muitas vezes pessoas envolvidas nesse tipo de crime vêm de outros países. Para ele, é necessário que, além das avaliações, se mostre quem são os corruptores.
“O Brasil não teme nenhuma comparação com nenhum país no que se refere ao combate à corrupção e à lavagem de dinheiro”, disse Tarso, ao fazer um balanço de seu ministério. “Precisamos de maior colaboração externa. Os relatórios deveriam ajudar apontando as fontes que geram a corrupção”, acrescentou o ministro, afirmando que houve um forte empenho da Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (CGU) no ataque a vários tipos de crimes que envolvem o dinheiro público.
Tarso diz que não encarou o relatório da OCDE como uma crítica ao país. Ao contrário disso, segundo o ministro, houve elogios para a PF e CGU. “A advertência foi para o Poder Judiciário”, ressaltou. O documento, apresentado há duas semanas, afirma que pelo menos dois casos “potenciais” de pagamento de propinas envolvendo empresas brasileiras foram descobertos. Os fatos estão sendo investigados em sigilo.
| PF manterá linha de ação O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que o governo não vai admitir que a Polícia Federal seja usada para atacar inimigos ou proteger os aliados e não vai regionalizar suas ações. Entre novembro e este mês, a PF fez diversas operações centralizadas na Bahia, Alagoas e Maranhão, envolvendo empresários e políticos, especialmente prefeitos e deputados. Alguns esquemas já duravam anos e chegaram a desviar mais de R$ 1 bilhão. Em Maceió, dois deputados foram presos por porte ilegal de armas, mas apenas um deles ficou detido. O outro foi liberado no mesmo dia. “Esses grupos atuavam havia anos e não tinham recebido uma resposta do Estado brasileiro”, afirmou o ministro. Segundo ele, ainda este ano o governo pretende mostrar números que comprovam o aumento das operações de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro. “Esta luta cresceu, atingindo um ponto de boa qualidade no Estado brasileiro, sem seletividade partidária, regional ou social”, diz. Ele não soube explicar as causas que levaram a Polícia Federal de Alagoas a soltar o deputado Antônio Albuquerque (PMDB), presidente da Assembléia Legislativa do estado. Ele foi preso por porte ilegal de armas durante a Operação Taturana, que desvendou um esquema de fraudes na folha de pagamento do legislativo local. Ingerência “Se souber de alguma ingerência política, tomo as providências imediatamente”, disse o ministro, acrescentando que não conhecia os detalhes do caso. Albuquerque estava com uma arma com a numeração raspada, mas não foi preso em flagrante, conforme determina a lei. Outro deputado, Cícero Ferro (DEM), também foi detido com várias armas, assim como o ex-governador do estado Manuel Gomes de Barros. “Não há hipótese de ingerências em inquéritos da Polícia Federal. Quando uma pessoa é presa, a prova contra ela já está feita”, disse o ministro. A PF não deu explicações satisfatórias sobre o episódio, afirmando apenas que a decisão havia partido do delegado que comandou uma das buscas. No dia, o coordenador da Operação Taturana, Janderlyere Gomes de Lima, chegou a anunciar a prisão de Albuquerque mas teve que voltar atrás. O parlamentar está respondendo inquérito por porte ilegal de armas e teve sua residência e gabinete vistoriados por policiais federais. Ele é suspeito de envolvimento no desvio de R$ 200 milhões em fraudes envolvendo laranjas e funcionários fantasmas na Assembléia Legislativa. Outros nove parlamentares foram indiciados pela PF, acusados de fazer parte do esquema. |






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