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dez 20

TARSO COBRA AJUDA INTERNACIONAL – MINISTRO DA JUSTIÇA REJEITA RELATÓRIO DE ENTIDADE INTERNACIONAL QUE ACUSOU O BRASIL DE FALTA DE RIGOR NO COMBATE A CASOS DE SUBORNO. SEGUNDO ELE, MUITAS VEZES OS COR

  • 20 de dezembro de 2007
  • Notícias

Edson Luiz
Da equipe do Correio

O ministro da Justiça, Tarso Genro, criticou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que cobrou maior rigor do governo brasileiro no combate ao suborno. A organização, integrada pelos países mais ricos do mundo, zela pelo respeito às regras de mercado e à democracia representativa em todo o mundo. Conforme a entidade, o Brasil não tomou as medidas necessárias para responsabilizar juridicamente pessoas que fazem pagamentos irregulares a funcionários públicos. Em resposta à entidade, o ministro disse que muitas vezes pessoas envolvidas nesse tipo de crime vêm de outros países. Para ele, é necessário que, além das avaliações, se mostre quem são os corruptores.

“O Brasil não teme nenhuma comparação com nenhum país no que se refere ao combate à corrupção e à lavagem de dinheiro”, disse Tarso, ao fazer um balanço de seu ministério. “Precisamos de maior colaboração externa. Os relatórios deveriam ajudar apontando as fontes que geram a corrupção”, acrescentou o ministro, afirmando que houve um forte empenho da Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (CGU) no ataque a vários tipos de crimes que envolvem o dinheiro público.

Tarso diz que não encarou o relatório da OCDE como uma crítica ao país. Ao contrário disso, segundo o ministro, houve elogios para a PF e CGU. “A advertência foi para o Poder Judiciário”, ressaltou. O documento, apresentado há duas semanas, afirma que pelo menos dois casos “potenciais” de pagamento de propinas envolvendo empresas brasileiras foram descobertos. Os fatos estão sendo investigados em sigilo.


PF manterá linha de ação

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que o governo não vai admitir que a Polícia Federal seja usada para atacar inimigos ou proteger os aliados e não vai regionalizar suas ações. Entre novembro e este mês, a PF fez diversas operações centralizadas na Bahia, Alagoas e Maranhão, envolvendo empresários e políticos, especialmente prefeitos e deputados. Alguns esquemas já duravam anos e chegaram a desviar mais de R$ 1 bilhão. Em Maceió, dois deputados foram presos por porte ilegal de armas, mas apenas um deles ficou detido. O outro foi liberado no mesmo dia.

“Esses grupos atuavam havia anos e não tinham recebido uma resposta do Estado brasileiro”, afirmou o ministro. Segundo ele, ainda este ano o governo pretende mostrar números que comprovam o aumento das operações de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro. “Esta luta cresceu, atingindo um ponto de boa qualidade no Estado brasileiro, sem seletividade partidária, regional ou social”, diz. Ele não soube explicar as causas que levaram a Polícia Federal de Alagoas a soltar o deputado Antônio Albuquerque (PMDB), presidente da Assembléia Legislativa do estado. Ele foi preso por porte ilegal de armas durante a Operação Taturana, que desvendou um esquema de fraudes na folha de pagamento do legislativo local.

Ingerência
“Se souber de alguma ingerência política, tomo as providências imediatamente”, disse o ministro, acrescentando que não conhecia os detalhes do caso. Albuquerque estava com uma arma com a numeração raspada, mas não foi preso em flagrante, conforme determina a lei. Outro deputado, Cícero Ferro (DEM), também foi detido com várias armas, assim como o ex-governador do estado Manuel Gomes de Barros. “Não há hipótese de ingerências em inquéritos da Polícia Federal. Quando uma pessoa é presa, a prova contra ela já está feita”, disse o ministro.

A PF não deu explicações satisfatórias sobre o episódio, afirmando apenas que a decisão havia partido do delegado que comandou uma das buscas. No dia, o coordenador da Operação Taturana, Janderlyere Gomes de Lima, chegou a anunciar a prisão de Albuquerque mas teve que voltar atrás. O parlamentar está respondendo inquérito por porte ilegal de armas e teve sua residência e gabinete vistoriados por policiais federais. Ele é suspeito de envolvimento no desvio de R$ 200 milhões em fraudes envolvendo laranjas e funcionários fantasmas na Assembléia Legislativa. Outros nove parlamentares foram indiciados pela PF, acusados de fazer parte do esquema.


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