Os servidores públicos, em especial os da Polícia Federal, vivem tempos de desesperança. Basta abrir os jornais do dia e passar os olhos nas manchetes para verificar que a situação é crítica, os tempos são de dificuldades e – o pior – que não há indícios de melhorias.
Veja, por amostragem, as seguintes manchetes desta terça-feira, 27 de setembro de 2011:
“Temendo fila de reajustes, Dilma peita o STF”
“Ideli Salvatti afirma que a saúde vai ter um novo imposto”
“Para analistas, inflação ultrapassará a meta este ano”
“Petrobras vai importar mais gasolina”.
“10% para a Saúde: Planalto teme o “pior dos mundos para o governo””
“Para CGU, mais de 2.500 empresas são inidôneas”
Para completar esta paisagem de desalento, o governo alega que não há recursos para reajustar o salário dos servidores e que o país deve adotar posição de cautela com relação aos gastos públicos, “olha o exemplo da Grécia” e outras coisas mais.
Por outro lado, a mesma imprensa que prega a desesperança, destaca em chamativas manchetes que a “Arrecadação amplia superávit fiscal” e que o “Governo vai usar excesso de arrecadação para aumentar superávit”. Há recordes significativos na arrecadação que nos faz crer que o governo federal nunca esteve tão bem, a ponto da presidente Dilma declarar, a plenos pulmões, em recente reunião da ONU, que “a força do Brasil é cada vez mais respeitada no exterior”.
São discursos bastante diferentes que mostram uma indisfarçável contradição nos números e nas estatísticas. Em quem acreditar? Levamos em conta uma situação de penúria ou essa de cofres abarrotados pelos recordes de arrecadação?
Para completar este funesto quadro nacional, o povo brasileiro está testemunhando a queda do último pilar da democracia nacional – o poder judiciário -, com as cada vez mais constantes denúncias de corrupção entre os juízes e suas estranhas decisões, um tanto dessintonizadas dos anseios dos brasileiros. A Corregedora Nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, ao criticar a iniciativa de uma entidade de juízes de tentar reduzir o poder de investigação do CNJ, fez a seguinte declaração: “Acho que é o primeiro caminho para a impunidade da magistratura, que hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga”.
O magistrado Ali Mazloum, juiz há 20 anos, também coloca lenha na fogueira. Segundo ele o problema da Justiça não é dinheiro, não é falta de juiz e nem de servidor e, muito menos, não é reforma processual. O problema, segundo, Mazloum, está na apatia da toga.
Dessa forma, é patente o desestímulo do brasileiro e a decepção com as nossas autoridades, o que nos faz lembrar da máxima de Rui Barbosa em defesa da honestidade:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”
Fonte: Agência Sindipol/DF






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