Na manhã desta segunda-feira (16), o presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal – SINDIPOL/DF, Paulo Ayran da Silva Bezerra, e o diretor administrativo, Egídio Araújo Neto, participaram de uma reunião com as psicólogas do sindicato, Kelly de Oliveira de Freitas e Maria Helena, e com o Delegado Regional Executivo da Polícia Federal no Distrito Federal, Marcos Paulo Pimentel. O encontro teve como foco principal a discussão de questões relacionadas à saúde mental, ao bem-estar e à qualidade de vida dos policiais federais.
Durante a reunião, foram compartilhadas percepções e experiências acumuladas pelas psicólogas do SINDIPOL/DF no atendimento aos policiais federais filiados ao sindicato. O objetivo do encontro foi apresentar ao gestor uma visão mais ampla sobre o estado emocional dos servidores, abordando temas como clima organizacional, ergonomia, relação com as chefias e fatores que impactam diretamente o bem-estar no ambiente de trabalho.
Egídio destacou que a iniciativa busca contribuir para uma reflexão sobre o estado de espírito dos servidores e sobre como a gestão pode atuar de forma preventiva, incentivando que gestores estejam atentos e busquem apoio de especialistas quando necessário. Segundo ele, cuidar da saúde mental e das condições de trabalho dos policiais é essencial para fortalecer a instituição e melhorar o desempenho das equipes.
Ao longo da conversa, o DREX Marcos Paulo Pimentel pontuou algumas dúvidas com as psicólogas e solicitou sugestões durante o encontro. Ele ressaltou que a própria percepção da gestão aponta para a necessidade de ampliar o olhar sobre a saúde mental dos servidores, buscando medidas que possam contribuir para um ambiente de trabalho mais equilibrado.
A psicóloga Maria Helena destacou que, entre as queixas mais recorrentes observadas nos atendimentos, está a sensação de injustiça no ambiente de trabalho. Segundo ela, muitos servidores relatam que aqueles que cumprem suas funções com dedicação acabam sobrecarregados, enquanto outros colegas não recebem a mesma cobrança. Essa percepção de desigualdade, de acordo com a profissional, pode gerar desgaste emocional e afetar o clima organizacional.
Já a psicóloga Kelly ressaltou que uma gestão mais presente e participativa pode ajudar a reduzir esse tipo de percepção. Ela mencionou que reuniões periódicas e maior diálogo entre chefias e equipes podem contribuir para uma distribuição mais equilibrada de tarefas, benefícios, viagens e escalas de sobreaviso, evitando a sensação de tratamento desigual entre os servidores.
As psicólogas também relataram que muitos policiais atendidos apresentam sintomas relacionados ao burnout, frequentemente associados ao sentimento de desvalorização e à falta de reconhecimento profissional. Outro ponto destacado foi a dificuldade de muitos servidores em sinalizar problemas de saúde mental, muitas vezes por receio de estigmatização dentro da própria instituição.
Outro tema abordado foi a transição do policial da ativa para a aposentadoria. As profissionais sugeriram que esse momento receba atenção especial, com acompanhamento e medidas que possam ajudar na adaptação à nova fase da vida, reduzindo possíveis impactos na saúde mental.
O presidente do SINDIPOL/DF, Paulo Ayran, também contribuiu com reflexões durante a reunião e destacou a importância da escuta ativa por parte das lideranças. Segundo ele, a gestão de pessoas é um dos maiores desafios dentro das instituições. Ayran ressaltou que, em cursos sobre qualidade de vida no trabalho, é recorrente a discussão sobre fatores que podem levar ao desenvolvimento do burnout, como a falta de autonomia, a insatisfação profissional e, principalmente, a ausência de reconhecimento e de retorno ao servidor sobre o trabalho realizado. Para o presidente, é fundamental que a administração busque mecanismos que possam amenizar essas dificuldades, fortalecendo o diálogo e criando caminhos para a construção de uma Polícia Federal cada vez melhor.
Ao final da reunião, Marcos Paulo Pimentel agradeceu pelas contribuições e destacou a importância do diálogo com o sindicato. Ele afirmou que pretende analisar as sugestões apresentadas e que, dentro das possibilidades da Superintendência Regional, buscará implementar melhorias e ampliar espaços de escuta para os servidores.
Marcos também reconheceu que o sindicato exerce um papel importante como canal de escuta das demandas da categoria, reunindo sugestões, alertas e preocupações dos policiais federais.
O sindicato continuará exercendo seu papel de porta-voz dos servidores da Polícia Federal, levando sugestões, preocupações e reivindicações da categoria aos gestores, com o objetivo de contribuir para um ambiente institucional cada vez mais saudável, justo e produtivo.






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