Delegado guardava fotos de deputados e de integrantes do governo federal. Dados estão no inquérito sobre vazamentos da ação policial
A Policia Federal encontrou nos arquivos pessoais do delegado Protógenes Queiroz, que investigou as fraudes que deu origem à Operação Satiagraha, fotografias de integrantes do alto escalão do governo federal e de deputados. O arquivo denominado “dados para vigilância” foi aberto para análise na apuração do vazamento da ação policial. Além disso, segundo o relatório da PF, feito no fim de dezembro de 2008, há informações sobre reuniões de advogados dos principais envolvidos na operação, além de supostas escutas em torno de jornalistas.
No relatório não constam nomes, mas as imagens estão juntas com as de supostos envolvidos na investigação. “Adiante, aponta-se (sic) 27 fotografias, de arquivos denominados ‘dados para vigilância’, as quais apresentam diversas pessoas, dentre elas autoridades do governo federal, deputados e alvos da Operação Satiagraha”, relatou o delegado Amaro Vieira Ferreira, que preside o inquérito dos vazamentos da ação policial, desencadeada em julho do ano passado. O relatório mostra ainda os diretórios abertos pelos peritos da Polícia Federal.
Muitos dados da Operação Satiagraha estavam armazenados nos equipamentos pessoais de Protógenes. Isso não caracterizaria, segundo policiais, qualquer irregularidade, já que o delegado era quem estava à frente das investigações. Porém, uma suposta investigação em torno de autoridades e políticos deveria ter autorização do procurador-geral da República. Amaro Ferreira não faz, dentro do relatório, qualquer referência ao assunto, a não ser a citação da existência das imagens. O relatório de análise de mídias foi baseado nos equipamentos eletrônicos apreendidos em um hotel no centro de São Paulo, onde Protógenes estava hospedado em novembro passado, quando foram realizadas as buscas. As fotografias de autoridades estavam em um pen drive (arquivo de dados portátil). O delegado da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, Luiz Gallo, que também atua na defesa de Protógenes, não conseguiu localizar seu cliente, que estava em casa de parentes se recuperando de uma pequena cirurgia. Bloqueio O governo brasileiro anunciou ontem o bloqueio de mais de US$ 2 bilhões – cerca de R$ 4,5 bilhões – em contas bancárias mantidas no exterior e relacionadas à Operação Satiagraha. Desse montante, cerca de U$ 500 milhões estariam nos Estados Unidos e US$ 496 milhões seriam do Banco Opportunity, segundo o Ministério Público Federal em São Paulo da Secretaria Nacional de Justiça. Apesar de o maior bloqueio de recursos já feito pelo Brasil, não é o primeiro realizado de envolvidos na ação da Polícia Federal. No ano passado, o DRCI já havia conseguido a retenção de US$ 45 milhões de um dos acusados na ação da PF. O bloqueio foi determinado por ordem judicial expedida em Cooperação Jurídica Internacional. A ação foi coordenada pela Secretaria Nacional de Justiça, Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), Justiça Federal e Polícia Federal. O local do bloqueio e os nomes dos titulares das contas, não foram divulgadas pelas autoridades brasileiras. A alegação do Ministério da Justiça é que o sigilo faz parte do compromisso assumido com os países cooperantes. Além disso, a revelação dos nomes poderiam atrapalhar as investigações em andamento. Najas A Justiça do Rio de Janeiro negou ontem uma indenização pedida pelo investidor Naji Nahas, que queria R$ 10 bilhões por danos morais e materiais. Nahas pedia a reparação por prejuízos sofridos nas bolsas de valores do Rio e São Paulo, há 20 anos. Na ação, o investidor, que também chegou a ser preso na Operação Satiagraha, alegou que parte de sua carteira de ações nas bolsas foi confiscada em 1989. Ele teria deixado de honrar financiamentos tomadas na compra de papéis, o que causou uma crise no mercado financeiro nacional, além de causar a ruína da bolsa carioca, hoje integrada à Bovespa. Segundo a juíza Márcia Cunha, da 2ª Vara Empresarial do Rio, não há justificativa suficiente para a indenização. Najas terá que pagar R$ 1 milhão de honorários aos advogados da bolsa. 
Relatório da PF apresenta os arquivos guardados por Protógenes
Leia: trechos do relatório da Polícia Federal |
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