Diretor-geral quer melhoria das provas nos inquéritos e intercâmbio com a Secretaria de Segurança Pública
A Polícia Federal vai intensificar a parceria – intercâmbio de informações e de apoio no combate ao crime organizado – com a Secretaria de Segurança Pública do Rio, revelou ontem ao GLOBO o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Correa, que chega hoje à cidade para dar posse ao delegado Ângelo Gioia. O delegado assume o comando da Superintendência da PF do Rio, no lugar do delegado Valdinho Caetano, novo corregedor-geral da instituição, em
Brasília.
Luiz Fernando lembrou que, desde 2003, quando o Rio ganhou a Missão Suporte (uma central de inteligência e de produção de conhecimento policial), o intercâmbio de informações e de logística com a Secretaria de Segurança Pública vem evoluindo bastante.
– Antigamente, quando um novo superintendente assumia, ele administrava com sua marca pessoal. Agora não: é apenas uma mudança de nomes, porque a política que permanece não é de um determinado delegado, é institucional. Muda o nome, mas a política segue na mesma linha, agregando valores – afirmou Luiz Fernando Correa.
Um dos exemplos de intercâmbio que deu certo este ano e que será aprimorado foi a bem-sucedida ocupação no Morro Dona Marta, em Botafogo, pela Polícia Militar. Há três semanas na favela, a polícia acredita que tenha conseguido expulsar os traficantes, fechar as “bocas-de-fumo” e iniciar ações sociais. O Dona Marta foi ocupado no dia 20 de novembro, mas quase um ano antes uma operação de monitoramento dos traficantes foi montada pela Polícia Federal e agentes do Serviço Reservado da PM (P-2). Ele foram fotografados e identificados; e todas as “bocas-de-fumo” mapeadas.
Um modelo de gestão para todas as superintendências
O diretor-geral Luiz Fernando Correa explicou ainda que o novo superintendente do Rio, Ângelo Gioia, terá pela frente também a missão de melhorar cada vez mais a qualidade das provas produzidas nos inquéritos policiais da PF do Rio.
– A melhoria da qualidade dos inquéritos policiais é uma busca constante. No Rio já é muito boa, mas precisamos melhorar cada vez mais. Isso é um modelo de gestão que serve não só para o Rio, mas para outras superintendências do país – afirmou Luiz Fernando.
Durante os quase dois anos em que ficou no Rio, o delegado Valdinho Caetano colecionou prisões no andar de cima do crime organizado. Foi sob sua coordenação que foram parar atrás das grades o delegado Álvaro Lins, ex-chefe de Polícia Civil do Rio e ex-deputado estadual, e seus principais assessores da polícia; e a então candidata a vereadora Carminha Jerominho, além de inúmeros policiais federais do Rio acusados de colaborar, em troca de dinheiro, com os criminosos.
Carioca, o futuro superintendente do Rio, Ângelo Gioia, já trabalhou na cidade. Em 2003, esteve à frente de importantes investigações como a descoberta do envolvimento de Rodrigo Silveirinha, ex-secretário de Administração Tributária da Secretaria estadual da Fazenda, em crimes de extorsão, lavagem de dinheiro e remessa ilegal de mais de US$30 milhões para a Suíça.






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