Total de policiais civis e militares ganha reforço no DF. Entre remanejamentos e nomeações de concursados, serão cerca de 1,8 mil pessoas a mais, que vão atuar nas ruas ou nos setores técnicos de investigação
Adriana Bernardes
O governador José Roberto Arruda cobrou uma resposta rápida e eficiente das polícias Civil e Militar ao crescimento da violência no Distrito Federal. Ele demonstrou publicamente a insatisfação com o desempenho das forças policiais durante a posse dos 140 agentes aprovados no último concurso público e que começam a trabalhar imediatamente. Na cerimônia de ontem à tarde, Arruda anunciou parte de um pacote de medidas com a finalidade de combater a criminalidade. Ao ser colocado em prática, o pacote representará cerca de 1,8 mil policiais – entre civis e militares – a mais em ação.
O incremento de pessoal ocorrerá de duas formas: nomeação de concursados e remanejamento. Além de ter dado posse a 140 agentes, o governo vai nomear 450 técnicos penitenciários. Com isso, 288 policiais civis que atuam como carcereiros voltarão às delegacias. A fim de aumentar os quadros da Polícia Militar, o governo vai convocar pelo menos 400 militares da reserva para trabalhar nos postos de segurança comunitária. E vai autorizar a contratação imediata de estagiários entre 18 e 24 anos. Arruda não disse quantos serão, mas afirmou que eles farão atividades burocráticas liberando pelo menos 800 PMs para o policiamento das ruas (veja quadro).

Ao deixar a cerimônia de posse dos agentes da Polícia Civil, o governador reforçou que cobrará resultados. “Não posso continuar assistindo a dois, três homicídios todo fim de semana, territórios onde drogas estão sendo comercializadas sem uma ação da polícia. Se faltavam meios agora não faltam mais. Mas eu exijo que a polícia seja mais eficiente no cumprimento da sua obrigação”, declarou.
Cobrança de resultados
Arruda disse esperar uma reação rápida ao que classificou como “série de atos criminosos” ocorridos em Brasília. “Dei todos os meios que eles (PMDF e PCDF) me pediram. Agora exijo uma resposta. Espero que a polícia reaja com força e rapidez. Brasília não pode repetir erros de outras cidades brasileiras”, reiterou.
As medidas foram anunciadas após uma onda de violência no Distrito Federal. No último mês, bandidos promoveram uma arrastão no Plano Piloto e Sudoeste, uma mulher foi estuprada quando chegava para trabalhar e vários assaltos ocorreram nas imediações das escolas, como noticiou o Correio no último domingo.
Os 140 novos policiais vão ser distribuídos em diversos setores da Polícia Civil. Os 63 escrivães vão trabalhar nas delegacias circunscricionais e também nas especializadas, entre elas a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e as duas delegacias da Criança e do Adolescente (DCAs). Os 36 papiloscopistas vão ser integrados ao Instituto de Criminalística (IC), ao Instituto de Medicina Legal (IML) e ao Instituto de Identificação. Os 30 peritos reforçam os quadros do IC e os 11 legistas vão para o IML. Escrivães e papiloscopistas entram para a polícia com salário de R$ 7.514,33. Peritos e médicos legistas recebem quase o dobro: R$ 13.368,68.
Na prática, os novos servidores melhorarão o trabalho da PCDF, conforme explicou o diretor-geral do órgão, Cléber Monteiro. “A perícia será mais ágil e o cidadão não terá que esperar tanto tempo para prestar um depoimento por falta de escrivão, por exemplo”, citou.
Déficit de pessoal
Apesar da cobrança do governador Arruda – de que atendeu a demanda da Polícia Civil e agora espera resultados -, Cléber Monteiro afirmou que o quadro do órgão é o mesmo de seis anos atrás e que a demanda é de pelo menos mais 2 mil servidores entre agentes, delegados, escrivães, peritos, médicos legistas e papiloscopistas. “Entregamos um projeto à Casa Civil com a proposta de preencher o quadro ao longo dos próximos quatro anos. Isso não é simples. Uma vez aprovado pelo governador, segue para o gabinete da Presidência da República e depois para o Congresso”, explicou. Atualmente, a PCDF tem 5,2 mil servidores – são 5.940 cargos.
Entre os novos policiais civis empossados ontem estavam a médica legista Marcia Reis, 37 anos, e a patologista Silmara Diniz, 31. As duas destacaram o rigor no processo seletivo. “Fomos avaliados nos nossos conhecimentos e em diferentes aptidões. Estar aqui é a coroação de um sonho”, destacou Silmara. “Tive de abrir mão até do convívio familiar. O processo seletivo é longo e desgastante. Mas consegui”, comemorou Marcia.
Também tomou posse ontem a nova cúpula da Polícia Civil. O delegado André Victor do Espírito Santo assumiu o Departamento de Polícia Circunscricional. O Departamento de Polícia Especializada será comandado pelo delegado Bartolomeu Araújo. O delegado Cícero Jairo assume o Departamento de Atividades Especiais. E o delegado Luiz Andriano Guerra Pouso é o novo corregedor. “Não indiquei ninguém. A escolha foi do diretor da Polícia Civil e com base em critérios técnicos”, destacou o governador.

Reunião da comunidade
O Conselho Comunitário de Segurança de Brasília estará reunido, hoje, com autoridades do Distrito Federal para discutir, entre outros temas, a violência no Plano Piloto. No encontro, marcado para as 18h30, no auditório da Administração Regional de Brasília (Setor Bancário Norte), também serão feitas sugestões para serem debatidas na 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública que ocorrerá em agosto, no DF, com representantes de todos os estados.






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