O Ministério Público Eleitoral descarta por ora pedir representação específica para apurar as suspeitas de irregularidades nas doações feitas pela construtora Camargo Corrêa a partidos políticos. Apesar da divulgação de conversas envolvendo diretores da empreiteira, que indicam repasses por fora a partidos nas eleições do ano passado, a procuradoria eleitoral vai aguardar que a Polícia federal (PF) repasse os documentos e as escutas telefônicas que levantam tais suspeitas antes de fazer alguma denúncia à Justiça Eleitoral.
De acordo com o Ministério Público, só com os dados coletados durante a investigação será possível determinar se há realmente indícios de irregularidades nessas doações. A PF ainda realiza a análise do material apreendido na quarta-feira da semana passada, quando a operação foi deflagrada, e não há previsão de quando essas informações serão repassadas.
Relatórios da PF citam doações da Camargo Corrêa ao PSDB, DEM, PPS, PSB, PDT, PMDB e PP. Apesar de não ter sido incluído no relatório final, um e-mail interceptado pelos investigadores também aponta doações ao PT, PTB e PV. Os partidos negam caixa dois.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) é apontada na investigação como intermediária das doações da empresa a políticos. A entidade nega as suspeitas.
EXPLICAÇÕES
O ministro Tarso Genro (Justiça) e o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, aceitaram o convite da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado para explicarem aos parlamentares a Operação Castelo de Areia. Os depoimentos foram marcados para 14 de abril, após a Semana Santa.
O convite foi aprovado anteontem, em uma manobra da base aliada governista na CCJ.
Inicialmente, a oposição havia solicitado a convocação do ministro e do diretor da PF no plenário da Casa. Para evitar a convocação, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) se apressou para aprovar o convite na comissão. A diferença é que o convite pode ser recusado, e a convocação é obrigatória.






Comments are closed.