De acordo com a Pastoral Carcerária, desde então houve avanços na questão da saúde com a contratação de uma equipe de profissionais para atuar em cada presídio. Mas o padre Filipe Cromheecke, coordenador do trabalho da pastoral em Salvador, ressaltou que a falta de higiene ainda existe e que, muitas vezes, os familiares precisam levar material de limpeza, porque falta nas prisões.
“A questão da saúde melhorou devido à implantação do plano federal que colocou em cada unidade penal uma equipe de saúde que conta não só com médicos, mas também com assistente social, psicólogo, dentistas e enfermeiros. Mesmo assim, no caso da tuberculose, a gente percebe que há problemas para que o preso continue o tratamento. Às vezes, ele é transferido e não dá continuidade”, disse o padre.
“Mas a falta de higiene ainda é grande. Não estou falando da higiene pessoal, porque isso não é problema entre os presos. Estou falando da falta de higiene do local. Falta material de limpeza. O parente é que precisa trazer. Estou falando para limpar chão do banheiro que, em um lugar com tanta gente, tem que ser feito regularmente”, acrescentou Cromheecke.
Um médico que atua dentro da prisão, mas que pediu para não ser identificado, temendo represália, disse à reportagem da Agência Brasil que o problema da falta de medicamentos e de condições para realizar exames ainda não foi totalmente solucionado. “Muitas vezes, a gente faz o diagnóstico, prescreve a medicação e no meio do tratamento, o preso acaba ficando sem o remédio”, destacou o médico. Ele disse ainda ser mais comum no presídio doenças como a tuberculose e a hanseníase, além da escabiose, conhecida popularmente como sarna.
O médico também ressaltou que a falta de higiene propicia o aparecimento de doenças. “Faltam condições mínimas de higiene, a começar pela água que é imprópria para o consumo humano. “A água é visivelmente turva, suja. O reservatório não é limpo. Quando se abre a torneira, o que vem primeiro é lodo e ferrugem”, destacou. Outro problema apontado pelo médico, pela pastoral e confirmado pela própria secretaria é que os vasos sanitários instalados dentro das celas não têm equipamento de descarga. Os presos usam baldes de água para limpar o local.
A Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos da Bahia negou a falta medicamentos para o tratamento de doenças, mas disse que eventualmente podem ocorrer problemas com a distribuição das medicações que são fornecidas pelo governo federal e distribuídas pela prefeitura.
Com informações da Agência Brasil






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