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jan 20

65 PRESOS POR TRÁFICO DE DROGAS – Correio Braziliense

  • 20 de janeiro de 2009
  • Notícias

 

 

 

Operação da Polícia Federal desbarata quadrilha composta por mais de 130 pessoas e com atuação em cinco estados e no DF. Em Taguatinga, uma mulher foi detida

 

 

Uma megaoperação desencadeada pela Polícia Federal ontem resultou na prisão de 65 pessoas que fariam parte de uma quadrilha de tráfico internacional de drogas com atuação em 36 cidades de cinco estados brasileiros e do Distrito Federal. Realizada com o apoio do Ministério Público Federal e da Justiça Federal, a Operação Alfa buscava cumprir 85 mandados de prisão temporária, 89 mandados de busca e apreensão, além de ordens para sequestro de bens móveis e imóveis e para bloqueio das contas dos investigados.

A organização criminosa desarticulada envolve mais de 130 pessoas. O esquema se baseava na comercialização de cocaína produzida na Bolívia. Desde o início das investigações, há cerca de um ano e meio, foram apreendidos cerca de 900kg da droga – avaliados em R$ 6 milhões – que seriam revendidos pelo bando no Brasil.


Entre os presos estão empresários das áreas de construção civil, turismo, comércio de automóveis e advogados. O grupo era dividido em quatro ramificações (chamadas esquadrões). A primeira delas era composta por membros de uma mesma família, que usava uma empresa do ramo da construção civil sediada em Curvelândia (MT) como fachada para receber a droga. Com obras na região de San Matias, na Bolívia, carros da empresa circulavam cheios de entorpecentes pela fronteira. Depois que estava dentro do país, a cocaína era distribuída para Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e DF.


O segundo esquadrão usava duas aeronaves Cesna, modelo 210, para transportar a cocaína de Santa Cruz de La Sierra, também na Bolívia, até Mato Grosso e Goiás, onde os aviões pousavam em fazendas da organização. O terceiro grupo fazia a venda dos entorpecentes de Cáceres (MT) para cidades do interior paulista, e a última ramificação se ocupava de adquirir pasta base em Porto Soares, também no país vizinho.



Suspeitas
Em abril de 2007, a Polícia Federal de Brasília identificou o comércio entre traficantes de Mato Grosso e de São José do Rio Preto, em São Paulo. Foi aberto inquérito policial para apurar as suspeitas, o que levou à ação de ontem. A maior parte das prisões de ontem foi feita em São Paulo (25). Foram detidas ainda 22 pessoas em Mato Grosso; nove em Goiás, oito em Minas e uma no Distrito Federal.


Segundo o chefe-substituto da delegacia da PF de Uberlândia, José Pacífico, os integrantes da quadrilha em Minas eram pequenos traficantes que recebiam a droga e a repassava ao consumidor. “Desde o começo das investigações foram efetuados 16 flagrantes, sendo 47 pessoas presas. No Triângulo Mineiro, foram detidas (ontem) mais sete e apreendidas munição de uso restrito e um veículo”, afirma.


Os presos responderão pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico de drogas, financiamento para o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, posse ilegal de armas e munições e formação de quadrilha, com penas que podem passar de 30 anos de prisão.

 

 

 

DOCUMENTOS APREENDIDOS

 

A ação dos agentes da Polícia Federal no Distrito Federal durante a Operação Alfa resultou na prisão, em Taguatinga, da mulher de um traficante, que não teve o nome revelado. Além dela, um morador de Brasília foi detido em Goiânia, onde também possui residência fixa. De acordo com a polícia, foram cumpridos ainda seis mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Águas Claras, Gama e Plano Piloto. Durante a ação, os policiais recolheram uma moto, munição, vários documentos que serão analisados e dinheiro – 1.900 euros, US$ 1.070 e R$ 4.450.

“Os documentos recolhidos em cidades do interior de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia e Brasília serão analisados pela superintendência da Polícia Federal em São Paulo“, informou o delegado Frederico Saldanha, responsável pela Delegacia da PF em São José do Rio Preto (SP), base da operação. “Há fortes indícios de que alguns traficantes presos recebiam ordens de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), que continuam atuando dentro dos presídios”, acrescentou.

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