A CPI dos Grampos da Câmara vai pedir informações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a operação Satiagraha da Polícia Federal. Os deputados querem saber se ele determinou a realização das investigações.
A motivação para o pedido foram as declarações feitas pelo delegado Protógenes Queiroz, afastado da Satiagraha logo após a operação ser deflagrada. Por diversas vezes, ele afirmou em entrevistas que as investigações foram determinadas pela presidência, já que Lula estaria contrariado com as tentativas do banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, em cooptar autoridades e seu próprio filho.
O deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), que preside a CPI, quer saber se a solicitação partiu de fato de presidente da República.
O delegado Paulo Lacerda, ex-diretor geral da Polícia Federal e da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), conseguiu, no STF (Supremo Tribunal Federal), suspender seu depoimento à CPI, marcado para esta quarta-feira (15/4).
“Tendo em vista que o delegado Paulo Lacerda aqui não comparece para cumprir sua obrigação de servidor público —e prestar contas dos seus atos perante uma CPI— fica necessário o esclarecimento do dirigente maior do país. Queremos saber se efetivamente ele tinha conhecimento da operação e se deu essa determinação”, ressaltou Itagiba.
A CPI, que tem previsão de encerramento no dia 15 de maio, aprovou requerimentos para convocar o ministro Mangabeira Unger, da Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo. A CPI quer esclarecer as possíveis escutas das quais o ministro teria sido vítima.
Está previsto para a manhã desta quinta o depoimento do banqueiro Daniel Dantas, que também recorreu ao Supremo para permanecer em silêncio em questões que possam incriminá-lo.
Lacerda e intromissão
Paulo Lacerda conseguiu no Supremo suspender seu depoimento até o julgamento final do mérito do habeas corpus. O presidente da CPI dos Grampos considerou a decisão legítima, mas a classificou como uma possível “intromissão indevida”.
Itagiba informou que vai pedir à Procuradoria Parlamentar da Câmara que recorra da decisão do STF que permitiu a ausência de Lacerda. No habeas corpus, o delegado pede a garantia de ser ouvido onde mora, em Lisboa, de ser assistido por advogado, de ficar em silêncio em relação a perguntas que possam incriminá-lo, de não assinar termos de compromisso na condição de testemunha e de não ser preso durante o depoimento.
Entretanto, o pedido para ser ouvido por carta rogatória não será feito pela Câmara. “O doutor Paulo Lacerda já faltou com a verdade perante a CPI”, criticou Itagiba. “Ele teria agora a oportunidade de se retratar em tempo hábil para não ser indiciado pelo crime de falso testemunho. Não quis aproveitar a oportunidade”, afirmou o parlamentar.
O deputado Itagiba planeja ir a São Paulo na próxima semana conversar com dois procuradores e com o juiz Fausto De Sanctis, responsáveis pela operação Satiagraha.






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