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fev 02

FASE DE “ESPETACULARIZAÇÃO” DAS OPERAÇÕES ACABOU, DIZ PF – Jornal do Brasil

  • 2 de fevereiro de 2009
  • Notícias

Depois de usar o “freio de arrumação” para encerrar a fase da “espetacularização” das operações de impacto, a nova ordem dentro da Polícia Federal agora tem duas palavrinhas: gestão e qualidade, essenciais, segundo a direção do órgão, para fortalecer a prova contra criminosos. O delegado Luiz Fernando Corrêa acha que, apesar do barulho provocado pela Operação Satiagraha – que mostrou o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta sendo preso de pijama e com cara de sono na porta de seu apartamento – a polícia consolidou uma política de garantia dos direitos individuais, preservando a imagem de seus alvos.

Levantamento feito em cerca de 3.900 detenções realizadas no ano passado mostrou que em 60% dos casos, a Justiça expediu mandados de prisão preventiva (duração de 81 dias) e não temporária (cinco dias), como era regra na repressão a crimes financeiros. A diferença entre as duas medidas de restrição mostra, segundo a avaliação da PF, que a qualidade da prova está sendo reforçada na fase das investigações e terá repercussão no momento em que a Justiça for sentenciar um acusado.

A qualidade da prova marca uma diferença profunda entre as gestões do delegado Paulo Lacerda e de Luiz Fernando Corrêa na direção da PF. Quando assumiu o cargo, em 2003, Lacerda centralizou as operações em Brasília e orientou sua assessoria de comunicação a dar ampla publicidade às prisões relacionadas aos crimes financeiros. Na história do país, nunca se viu tanta gente importante sendo presa ou investigada. Não escaparam ministros, parlamentares e nem mesmo juízes dos tribunais superiores.

O auge da fase que os críticos apelidaram de “espetacularização” foi marcado pela Operação Xeque-Mate, que terminou com uma devassa na casa do irmão do presidente Lula, Genival Inácio da Silva, o Vavá. Lacerda explicou à época que deu vazão à publicidade porque, ao assumir, os críticos diziam que a PF era uma caixa-preta. “Decidi abri-la”, disse. O problema é que a caixa-preta acabou escancarada, estremeceu a elite política e derrubou Lacerda.

Essa fase encerrou-se. Para a nova direção ela pode ter sido necessária num período, mas a longo prazo acaba não tendo consequência se não resultar na condenação dos acusados. As operações foram descentralizadas – as superintendências regionais retomaram a função de coordenação das ações -, as corregedorias passaram a exercer também o papel de avaliar o desempenho da investigação e os policiais são estimulados o resultado do trabalho. Seguindo a velha máxima jurídica, segundo a qual “o que não está nos autos, não está no mundo”, a nova direção acredita que a qualidade da prova ajudará a derrubar a impunidade.

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