
Na década de 1960, o Brasil parecia ser um paraíso para espiões estrangeiros. Documentos obtidos pelo Estado de Minas revelam que, na época, havia mais de 320 agentes secretos e informantes de outras nações em território nacional. Um número assustador, segundo os órgãos de segurança. Os levantamentos foram feitos pelo Departamento Federal de Segurança Pública (DFSP), antecessor da atual Polícia Federal, e pelo Serviço Federal de Informações e Contra Informações (SFICI), que observaram infiltrações em 10 instituições públicas, inclusive na Presidência da República.
Os levantamentos começaram na década de 1942, quando 16 espiões alemães foram enviados ao país para atuar na coleta de informações sobre a atuação dos brasileiros na Segunda Guerra. Na época, a Delegacia de Polícia Política e Social (DPPS) abriu diversos inquéritos e descobriu que o número de agentes estrangeiros era bem maior e a rede não era formada apenas por integrantes do Eixo, mas de outras nacionalidades. Das 134 pessoas processadas, 60 eram alemães, seis húngaros, seis portugueses, seis italianos, dois estonianos, dois suíços, além de russos, poloneses, romenos, ingleses, franceses e chilenos.
“O aniquilamento da espionagem alemã foi fato inconteste, reconhecido pelas Polícias das nações aliadas que conosco cooperaram na contraespionagem, especialmente norte-americanos”, afirmou o delegado Olavo de Lima Rangel, da DPPS. “As crônicas, todavia, não fizeram a devida justiça à Polícia brasileira, ao divulgar as descobertas mais sensacionais”, reclamou o delegado. A descoberta do grupo de espiões, segundo ele, teve cooperação efetiva da FBI, a Polícia Federal americana, mas coube aos brasileiros retrair o que eles chamavam súditos do Eixo. “A partir dos fins de 1943, até o findar da guerra, eram realizadas buscas nas residências dos súditos do Eixo, onde tudo era examinado, desde as instalações elétricas e o forro até cartas e documentos pessoais”, descreveu Rangel.
No relatório, ele faz um balanço do número de espiões de outros países em território brasileiro. Eram 112 agentes, 127 informantes e 86 pessoas em atividades correlatas, operando em 10 estados. O DFSP registrou que 60 estrangeiros vieram da União Soviética, sendo que 35 estavam em Brasília, 12 no Nordeste, seis no Sul, quatro






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