O presidente da CPI do Grampo, deputado Marcelo Itagiba, diz que, embora não tenha chegado à autoria das escutas clandestinas, a investigação desnudou o mundo da espionagem, enquadrou órgãos que não tinham autorização para grampear – como a Polícia Rodoviária Federal – e demonstrou a necessidade de os órgãos públicos se organizarem para coibir a banalização do grampo e colocar controles na concessão de autorização e o emprego de equipamentos.
O voto em separado será decidido amanhã, numa nova queda-de-braço entre a oposição e a bancada governista, que quer ver esse caso encerrado logo, mesmo que se tenha de por panos quentes numa denúncia que abalou a credibilidade dos órgãos públicos de segurança e inteligência e levou Mendes, no auge da crise institucional, a suspender uma viagem internacional para comparecer a uma audiência em que pretendia chamar “às falas” o presidente Lula.
Procurado pelo JB, o presidente do STF não quis fazer nenhum comentário sobre a conclusão da CPI, aberta justamente para apurar uma suposta espionagem contra ele e vários outros ministros da Corte, bem antes do episódio envolvendo o senador Demóstenes. Mendes preferiu uma declaração genérica:
– A CPI teve papel importante ao revelar a grave situação e o descontrole total das escutas telefônicas – afirmou o ministro.
Nem uma palavra sobre a suposta conspiração em que ele era o principal alvo. A menos que nos próximos dias as investigações da Polícia Federal sofram uma reviravolta, o caso do grampo contra Mendes e Demóstenes Torres caminha para se transformar numa espécie de Batalha do Itararé – a que nunca houve.
Mas o suposto grampo está no centro de série de acontecimentos iniciados em dezembro de 2007 com as denúncias de espionagem no primeiro escalão dos três poderes – uma paranoia que tomou conta da Esplanada. Depois, veio a guerra de Mendes contra a PF e sua cruzada contra o “estado policialesco”, num momento em que as investigações sobre criminosos de colarinho branco começava a alcançar poderosos. Em julho do ano passado a República entraria em pânico com o desfecho da Operação Satiagraha, o prende-e-solta do banqueiro Daniel Dantas, o racha que dividiu o judiciário da primeira à última instâncias, o choque entre o governo e STF e, finalmente, o afastamento do delgado Paulo Lacerda e de toda a diretoria da Abin.
Para contornar a crise e evitar incômodos, o governo escalou o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, como os bombeiros. A saída foi nomear Lacerda adito policial da Embaixada do Brasil em Portugal e remanejar para o Ministério da Justiça os homens de sua confiança – entre eles o ex-diretor de inteligência da PF e assessor de confiança na Abin Renato da Porciúncula. O problema é que a investigação sobre os tentáculos de Daniel Dantas ainda está em andamento e nem se sabe o conteúdo de 12 HDs de computador apreendidos com o banqueiro e que estão sendo decodificados pela Central de Inteligência Americana.






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