Supremo emprega detentos que cumprem pena em regime semi-aberto. Convênio com o GDF permitirá que cerca de 40 contratados recebam salário e benefícios por oito horas de trabalho diárias
Mirella D’Elia
Da equipe do Correio
Foto:Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press – 6/2/09

José (nome fictício), entre os escolhidos, sonha em ser juiz. Ele afirma que vai agarrar a oportunidade com “as duas mãos e os dois pés”
A oportunidade dada a José surgiu com um convênio firmado entre o STF e o governo do Distrito Federal (GDF). A partir de agora, como qualquer trabalhador, ele vai receber salário e auxílio para transporte e alimentação em troca de uma jornada diária de oito horas. Ainda não sabe exatamente qual será sua rotina. Mas de uma coisa tem certeza: estará dando o primeiro passo para um futuro que, espera, será brilhante. “Desde criança tenho um sonho, que é ser juiz. Quando eu entrar no regime aberto, a primeira coisa que vou fazer é procurar uma faculdade”, contou José, que confessou ser fã de Marco Aurélio Mello – relator do processo em que o STF decidiu que presos por crimes hediondos têm direito à progressão de regime.
Para poder pegar no batente, os detentos foram selecionados pela Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap) e pela direção do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) do DF. E tiveram, ainda, que passar pela peneira do Supremo. O esforço será recompensado: vários setores já manifestaram interesse em abrigar os novos trabalhadores, que vão prestar serviços de apoio administrativo por até um ano. “A contribuição do STF é tentar mudar uma cultura. Temos que sair do discurso e partir para a ação”, disse o secretário de Recursos Humanos da Corte, Amarildo Vieira de Oliveira, que entrevistou os candidatos.
Apoio
Foi do presidente do Supremo e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Gilmar Mendes, a ideia de dar emprego para os presos. De tão empolgado, ele citou o projeto até mesmo no discurso de abertura dos trabalhos do tribunal, na última segunda-feira. “Esse processo de ressocialização merece todo o nosso apoio”, disse. A intenção, agora, é levar a iniciativa a outros tribunais. No Superior Tribunal de Justiça (STJ), a estratégia já começou a surtir efeito. O presidente do STJ, um dos tribunais mais importantes do país, Cezar Asfor Rocha, pretende tomar a mesma atitude em breve.






Comments are closed.