Presidente do STF diz que País precisa de “programa sério” de segurança
Luciana Nunes Leal, RIO
A onda de violência no Rio trouxe de volta a discussão sobre a política de segurança pública do governo federal. O presidente do Supremo Tribunal federal (STF), Gilmar Mendes, e o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, cobraram uma ação mais eficaz da União no combate ao crime organizado. O ministro da Justiça, Tarso Genro, rejeitou as críticas e defendeu as iniciativas federais na área. Disse que o que se viu na cidade nos últimos dias “é um efeito de 30 anos de abandono” e que “o Rio tem efetivo e equipamento suficientes para combater o crime”.
Na noite de segunda-feira, em encontro com um grupo de cariocas que discute soluções para a cidade semanalmente, Beltrame disse que a polícia fluminense faz o papel que caberia à polícia federal, de combate ao tráfico de drogas. Na manhã de ontem, Mendes afirmou que “o Brasil tem de ter um programa sério, digno deste nome, de segurança pública” e defendeu o uso das Forças Armadas, em especial para atuação nas fronteiras e no setor de inteligência.
Beltrame reuniu-se com 80 profissionais de várias áreas em Ipanema, zona sul. “O Rio precisa que o governo federal assuma plenamente a responsabilidade legal de combate à droga. Se não assume, nós assumimos. Estamos fazendo. Mas polícia estadual é responsável por prevenção e investigação. Por encontrar e entregar o criminoso à Justiça. Tráfico de drogas é com a polícia federal. Infelizmente, no Rio não é. A Secretaria de Segurança faz as duas coisas aqui. Ou melhor: faz as três. A polícia de prevenção e de investigação, a polícia de combate ao tráfico e a polícia de proximidade, de reconquista dos territórios”, disse.
Ao comentar os episódios do fim de semana, Beltrame citou o ataque às torres gêmeas em Nova York, em 2001. “O que eu queria mesmo é que entendêssemos a queda do helicóptero (da polícia) como nosso 11 de Setembro. E, a partir daí, houvesse política de segurança, não de governos, mas de Estado. Não de um, mas de todos. Sociedade também.”
O presidente do Supremo evitou comentários específicos sobre os confrontos, mas insistiu nas críticas à falta de ação coordenada da União com os Estados. “Os senhores têm no Rio uma questão básica, o uso de armamentos pesados importados ilegalmente. Isso passou pela fronteira, não é um problema basicamente do Rio, mas de falta de controle. Precisa de articulação”, afirmou Mendes. “Há uma responsabilidade nacional, não podemos imputar apenas às autoridades locais. Temos de discutir até o emprego das Forças Armadas”, afirmou.
COLABOROU TÂNIA MONTEIRO






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