Permanência, na agência, de policiais federais ligados ao ex-diretor é alvo de reclamações, principalmente contra a delegada-corregedora
O delegado Paulo Lacerda tombou, mas conseguiu assegurar o emprego de um grupo de colegas policiais cedidos à Agência Brasileira de Inteligência (Abin). São pelo menos sete servidores da Polícia Federal que se sustentam no órgão subordinado à Presidência da República graças a um entendimento costurado entre o delegado e o general Jorge Armando Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). A permanência deles, no entanto, é motivo de insatisfação interna.
A grita tem um alvo preferencial: Maria do Socorro Tinoco. Ex-diretora de Pessoal da PF, a delegada acompanhou Lacerda com a missão de pilotar a recém-criada Corregedoria-Geral, que só passou a existir com a reestruturação da Abin em abril passado. A corregedora é auxiliada pelos delegados Gilson Campos, coordenador de Pareceres, e Paulo Linhares, coordenador de Disciplina.
A chegada do trio foi encarada como uma intervenção. Mal iniciou o trabalho, seus métodos começaram a ser questionados. Um memorando encaminhado pela Corregedoria-Geral, em 19 de janeiro, a todos os setores da agência, fez subir o tom das reclamações. No documento, Maria do Socorro pede informações para apurar denúncia sobre funcionários que não estariam cumprindo a jornada regular de trabalho, além de outras irregularidades administrativas. “Há servidores que nem se sabe se são, ainda, efetivamente, servidores do quadro, em razão da irregularidade de seus comparecimentos”, afirma.
Um dos alvos da corregedora é o oficial de inteligência Nery Kluwe. Ex-presidente da associação de servidores da categoria, a Asbin, ele recorreu à Justiça Federal para tentar trancar procedimentos disciplinares por suposto abandono de trabalho. Também pede a reparação por eventuais danos morais ao que considera abuso de autoridade por parte da delegada Maria do Socorro.
Trunfo
As divergências começaram a se tornar públicas no esteio da Operação Satiagraha, ação da PF contra o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity. O aval do então diretor da Abin, Paulo Lacerda, para que servidores cooperassem com a investigação se tornou um trunfo dos críticos aos novos métodos da Corregedoria. Não à toa, Nery Kluwe foi um dos primeiros a revelar publicamente a maciça participação dos arapongas na apuração conduzida pela polícia – e a pedir a cabeça de Lacerda.
A Satiagraha escancarou um racha dentro da PF – de um lado, os lacerdistas e do outro, os aliados do atual diretor, Luiz Fernando Corrêa. Sem clima para que os policiais que continuam na Abin retornem à casa de origem, Lacerda entrou em campo para garantir a permanência deles na agência.
Procurado pelo Correio, o diretor interino da Abin, Wilson Trezza, informou, por meio da assessoria de imprensa que, “diferentemente de eventual insatisfação, a permanência da delegada Maria do Socorro na agência representa segurança e tranquilidade E isso decorre do fato de a equipe (de corregedores) ser especialista em trabalho de correição, com experiência para treinar os quadros da Abin”.






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