OPERAÇÃO NAVALHA: DISPUTAS E RETALIAÇÕES NA PF – Correio Braziliense
Marcelo Rocha Da equipe do Correio
Foto: Paulo H. Carvalho/CB/D.A Press – 1/8/07
Zulmar: suspeita determinou o fim das pretensões do policial de substituir Paulo Lacerda no comando da corporação Os delegados Andrea Tsuruta e Antônio de Pádua Vieira Cavalcanti, lotados na Divisão de Inteligência (DIP) da Polícia Federal, se transformaram em alvos de investigação interna. Motivo: os dois servidores levantaram a suspeita de que Zulmar Pimentel do Santos, ex-diretor-executivo e número 2 da gestão de Paulo Lacerda, teria vazado informações da Operação Navalha, o que decretou o fim das pretensões do policial de substituir Lacerda no comando da corporação. O episódio é mais um capítulo da Navalha, operação que rende desdobramentos até hoje – o caso veio a público em maio de 2007. Parte dessa repercussão abalou seriamente a corporação. Acirrou as disputas entre Zulmar e o delegado Renato Porciúncula, então Diretor de Inteligência. Porciúncula era o superior hierárquico de Tsuruta e Pádua, que se encarregavam de monitorar as conversas telefônicas entre os investigados. Foi com base em um relatório de inteligência produzido pela dupla que a ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou o afastamento de Zulmar, recém-nomeado pelo ministro Tarso Genro para trabalhar no Departamento Penitenciário Nacional. Após o afastamento, a Corregedoria-Geral (Coger) da PF abriu processo disciplinar contra o então diretor-executivo. A apuração não só concluiu pela inocência dele como recomendou a ação contra os dois servidores da DIP por supostamente terem falseado a verdade ao levantar a suspeita de que Zulmar teria alertado o colega João Batista Paiva Santana, ex-superintendente da PF no Ceará, um dos alvos da Navalha. Na ocasião, a Coger era dirigida por Ivan Lobato, contemporâneo de Zulmar na polícia. Êxito A PF informou à reportagem que os processos disciplinares contra os dois delegados da DIP são situação rotineira e não frutos de perseguição, como alegaram os servidores. Confirmou que as ações disciplinares decorrem do processo contra Zulmar. Segundo a polícia, as liminares concedidas pela Justiça para trancar a investigação interna serão obedecidas, mas salientou que elas têm caráter provisório. |
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