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ago 17

CUMBICA BATE RECORDE DE PRISÕES – Jornal do Commercio

  • 17 de agosto de 2009
  • Notícias

De janeiro até agora, 269 pessoas foram presas no aeroporto por envolvimento com o tráfico de drogas, maior número já registrado em apenas um ano

O Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, bateu o recorde de prisões por tráfico de drogas num único ano. De janeiro até agora, 269 pessoas foram parar na cadeia por tentar sair ou entrar no Brasil com cocaína, maconha, skunk ou ecstasy ou por envolvimento com quadrilhas que atuam nesses esquemas. É o maior registro desde 2001, quando se iniciou a estatística.

Uma das razões, segundo a delegacia da polícia federal (PF) no aeroporto, é a Operação Carga Pesada – deflagrada pela PF em março, que resultou na desarticulação de quadrilhas que despachavam cocaína para o exterior pelo terminal de cargas. Desde o início da investigação, em dezembro de 2007, confirmou-se o envolvimento de 60 pessoas nesse esquema específico, incluindo policiais e servidores da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e da Receita federal. O fechamento desse caminho estimulou um modelo tradicional: o aliciamento de pessoas para o envio de cocaína ao exterior, as “mulas”.

Quanto mais “mulas” são recrutadas, mais acabam presas, já que a equipe da PF que tem a tarefa de barrá-las foi reforçada e incorporou uma série de ferramentas ao trabalho, como a troca de informações com as polícias de outros Estados e países. Como resumiu um policial, nada é “por achismo”.

Apesar da atuação da PF, tanto policiais quanto especialistas consideram utópico cogitar-se o fim do tráfico por aeroportos. Justificam que se trata de um canal rápido para a distribuição de drogas. Além disso, ao mesmo tempo em que se descobrem as rotas e os métodos dos traficantes, estes desenvolvem novos caminhos.

Para exemplificar a sofisticação dos traficantes, o ex-secretário Nacional Antidrogas Wálter Maierovitch lembra que já houve o registro no exterior de traficantes que providenciaram a instalação de drogas sob a pele de “mulas”.

Diante disso, a seu ver, ninguém tem a fórmula para acabar com o tráfico. “O problema não está no aeroporto, está na rede de oferta fora dele. Com um movimento enorme num terminal, como é que você vai desconfiar de alguém?”, questionou.

Segundo Maierovitch, dados de órgãos internacionais indicam que a ação de “mulas” em fronteiras e aeroportos representa menos de 3% do fluxo de drogas no mundo. “O problema maior não está na ‘mula’, está nas outras formas, como no transporte de carga”.

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