A estratégia do uso de armas e da repressão não vem dando resultados no combate ao tráfico e ao uso de drogas no Brasil, além de contribuir para o aumento da violência. Essa foi uma das opiniões debatidas ontem por especialistas no primeiro encontro da Comissão Brasileira Sobre Drogas e Democracia (CBDD), que reuniu pesquisadores, políticos, médicos, artistas e representantes da sociedade civil num auditório da Fundação Oswaldo Cruz.
Entre os convidados, estavam o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a atriz Lília Cabral e o jornalista Zuenir Ventura. Para o diretor executivo do Viva Rio, o antropólogo Rubem César Fernandes, o desafio do novo grupo de trabalho será mudar a mentalidade da sociedade e incentivar a ideia de que o pequeno usuário deve ser tratado como paciente, não mais como bandido: — Queremos que o trabalho da polícia seja focado apenas nos grandes criminosos.
A ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal, declarou que a lei teve avanços, mas ainda é muito difícil para um juiz fazer a distinção entre o usuário e o pequeno traficante.
— A distinção é muito delicada, até porque o usuário, para sustentar o vício, muitas vezes se torna um traficante — afirmou, acrescentando que o Brasil obedece a acordos internacionais no combate às drogas.
Participaram do encontro, entre outros, Peter Reuter, coordenador do relatório da União Europeia a respeito da política internacional sobre drogas, apresentado na Convenção de Viena, em março; e Mike Trace, presidente do International Drug Policy Consortium. Já Glenn Greenwald, autor do relatório sobre a descriminalização das drogas em Portugal, não pôde comparecer por estar com gripe.






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