Unidade flutuante que fiscalizava rota fluvial usada por contrabandistas e traficantes de drogas é desativada para ser reformada
Desativada em agosto, a base Candiru, uma das três unidades flutuantes que fiscalizavam as embarcações no Rio Amazonas, será rebocada esta semana a Santarém, no Pará, onde passará por reformas. O posto servia de barreira contra o tráfico de drogas e contrabando de mercadorias. O problema é que as outras duas unidades de fiscalização também estão passando por reformas, o que deixa o leito do rio livre para as atividades criminosas. Pela Candiru passavam, obrigatoriamente, embarcações vindas de Belém, Manaus e municípios vizinhos — rotas de entorpecentes utilizadas por traficantes da Colômbia e do Peru. Com a paralisação das atividades, cerca de 15 fiscalizações deixaram de ser feitas por semana.
A Candiru funcionava às margens do Rio Amazonas, na altura do município de Óbidos (AM), há 50 anos, e reunia atividades de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Receita Federal, Receita Estadual e Polícia Federal. Composta de duas balsas fixas, a base foi desativada pela Marinha por apresentar precariedade nas instalações, que são de madeira. A estrutura não passou por manutenções periódicas e acabou se deteriorando.
No entanto, a estrutura física não era o único problema da base. Um agente da Polícia Federal, que preferiu não se identificar, denunciou ao Correio outras condições precárias da unidade, a começar pelo número insuficiente de pessoal. “Um trabalho importante desse teria que ter pelo menos seis pessoas na inspeção, além de cães farejadores e uma lancha, mas a realidade é bem diferente”, diz. O efetivo, segundo ele, não passava de três agentes por plantão. “Apesar de ser um trabalho difícil, a gente reconhece a necessidade de reativar o mais rápido possível as ações naquela região, pois o rio acaba ficando livre para quem quiser cometer crimes como o tráfico de drogas e o transporte de contrabando.”
Reativação
Em visitas as instalações da base Candiru foram constatadas as condições degradantes do local. O superintendente da Polícia Federal no Pará, Manoel Fernando Abbadi, afirma que a situação está sob controle e que, em 60 dias, a unidade flutuante voltará à ativa. Enquanto, isso um galpão emprestado pela Companhia Docas do Pará seria adaptado para as atividades, porém, ainda não foi instalado.
O custo para reparar os danos da embarcação gira em torno de R$ 300 mil e aguarda processo de licitação. Só em 2008, a base Candiru foi responsável pela apreensão de aproximadamente 400 quilos de drogas. Antes do fechamento da base, em agosto, os agentes já haviam recolhido 150 quilos de entorpecentes este ano.






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