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jun 25

INSEGURANÇA PÚBLICA – FEDERAIS INSATISFEITOS – Por Cláudio Avelar – Tribuna do Brasil

  • 25 de junho de 2009
  • Notícias

                                 

Como é de costume, registramos em nossos apontamentos, os fatos policiais e situações que levam o cidadão a sentir mais medo e insegurança. Registramos nessa coluna, absurdos da vida comunitária, reflexos da condição em que a população convive e é obrigada a aceitar, já que ainda não se apresentou solução viável e compatível com a dura realidade.

A sociedade ainda não consegue sentir tranquilidade por não receber do poder público, serviços de qualidade. Seja na área educacional, na saúde pública e obviamente na polícia e segurança pública como um todo.

Ultimamente temos relatado fatos cotidianos que envolvem diversos segmentos sociais, além dos trabalhadores da segurança pública que também se sentem abandonados à própria sorte e em contrapartida, o resultado não podia ser diferente: população descontente.

Mais uma vez, policiais se mobilizam em busca de condições de trabalho e dignidade, fatores primordiais para que seja desenvolvido um trabalho de qualidade. Antes de começar a produzir resultados positivos é necessário que se esteja motivado, pois caso contrário, não haverá como se esperar dedicação e empenho nas tarefas diárias. Dessa vez, foram os policiais federais que, publicamente, demonstraram sua insatisfação ao se reunirem em frente ao Ministério da Justiça para reclamarem e mostrarem suas revoltas e anseios.

O pior de tudo é que os envolvidos no movimento de protesto são os novos policiais. Como pode ser? Já estão insatisfeitos com pouco tempo de serviço? Então como será com o passar dos anos? Se a coisa não mudar, mais insatisfação fará com que esses policiais, que se sentem traídos, cada vez mais, diminuam seu rendimento profissional, com a falta de motivação necessária para o bom desempenho.

O mais estranho é que o Governo reconhece o equívoco, mas nada fez até agora, tanto é que depois de quase cinco anos de pedidos sem resposta, tiveram que reclamar publicamente para tentar encontrar uma solução.

Entenda o caso: quando os concursos foram abertos, ficou claro nos editais de convocação que os novos federais, quando aprovados e nomeados, tomariam posse no cargo na última classe existente, ou seja, a segunda classe.

Na estrutura do órgão existiam somente três classes: segunda primeira e classe especial, que é a última para os policiais mais antigos e experientes. Enquanto os servidores esperavam que fossem criadas novas classes acima para que pudessem ser promovidos, já que com apenas 10 anos se encontravam na classe especial e nessa condição permaneciam até a aposentadoria, o Governo Federal criou nova classe, porém abaixo das já existentes.

Assim, os novos policiais ao invés de esperarem melhorias, foram rebaixados antes mesmo de começarem a trabalhar, fenômeno que só poderia acontecer no Brasil, o país das minorias e oportunidades.

De acordo com os depoimentos colhidos, o clima de insatisfação, cada vez mais, aumentava de uma forma incontrolável, fazendo até que a Polícia Federal fosse o órgão com os mais altos índices de abandono, quer dizer que os funcionários após alguns anos pediam para sair, parafraseando o filme “Tropa de Elite”.

Parecia até que a Administração Federal fomentava a desistência, a exemplo do famoso Capitão Nascimento, que gritava aos alunos que somente ficaria completamente realizado quando os recrutas desistissem do curso. Será que o Ministério da Justiça pensava que os novos federais ficariam felizes sendo rebaixados ao invés de visualizarem reais chances de melhoria na carreira? Pede pra sair federal.

Com esses desentendimentos o resultado não poderia ser outro: Policiais frustrados. Alguns pedem para sair, outros insistem em ficar, buscando a justiça e o reconhecimento, porém desestimulados pelo sistema.

Nessa condição de desconforto, quem acaba perdendo mais é o povo que deixa de receber, mais uma vez, um serviço público de qualidade, por conta do desinteresse em produzir com eficiência.

Com as discordâncias fica demonstrado que são montes de problemas que resultam em mais problemas e para complicar mais ainda a situação do Governo que não consegue se entender, a Polícia Civil do DF que sofria do mesmo mal, com os novos policiais na mesma situação já conseguiu resolver, mas a Federal ainda padece do mal da burrocracia.

Os policiais civis se movimentaram e o Governador, reconhecendo a distorção, assinou um decreto e acabou com o problema. O pior é que o Governo Federal autorizou a decisão do GDF, pois os salários dos policiais civis são pagos com verba da União, porém não autorizou que fosse adotada a mesma posição com relação ao policial federal.

Se o Governo Popular do PT trata de forma diferenciada, servidores públicos que apesar de servirem em diferentes órgãos, exercem funções muito similares e por mais incrível que possa parecer, trata com descaso os policiais federais que foram reconhecidos por toda a população brasileira como excelentes em seu trabalho, fazendo do DPF o Órgão público com maior credibilidade perante a população, alguma coisa tem de mudar.

Não poderíamos deixar de comentar esse assunto, apesar de buscarmos a imparcialidade política, centenas de policiais federais estiveram publicamente protestando na Explanada dos Ministérios e aprovaram um “estado permanente de mobilização com indicativo de greve”. Já pensaram que em breve a população poderá sofrer com uma greve de policiais federais, por conta de um mero desacerto do Governo, certamente motivado por um burocrata que achava que os policiais, ao invés de promovidos deveriam ser rebaixados?

Esperamos pelo resultado justo, com a correção do equívoco, retificando o ato de nomeação desses novos policiais, pois certamente serão eles que no futuro serão os responsáveis pelas operações policiais tão importantes para o equilíbrio da nação.

O Governo recebeu o sindicato e afirmou que em uma semana apresentaria a informação definitiva sobre o assunto. Melhor reconhecer e concertar um erro, do que insistir errando. Vamos conferir.

A população sofrida anseia por mudanças no sistema e acredita na evolução e melhoria do serviço público. Os impostos são altíssimos e o povo deseja receber serviços de qualidade, para minimizar sua insegurança.

Sabemos que apesar das promessas e melhorias já recebidas pelo povo, muita coisa ainda precisa ser feita. O que importa é que devemos ficar sempre atentos as palavras dos políticos, pois após o processo eleitoral, parece que são levadas pelo vento, ficando, mais uma vez, os eleitores abandonados a própria sorte.

Cada vez mais, o cidadão percebe a importância de suas escolhas e começa a entender que seu representante precisa atender seus anseios e somente com a maior integração da sociedade com o poder público, poderemos pensar em mais comodidade, tranqüilidade e principalmente em segurança.

(*) Cláudio Avelar é Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no DF, bacharel em Direito e Administração e especialista em Direito Público.

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