A operação conduzida pelo delgado Protógenes, e que levou ás prisões de Daniel Dantas uma ano atrás por decisão do juiz De Sanctis, mostra, com lamentável atraso, seus méritos e acertos
Por Leandro Fortes
Ao tomar conhecimento, na segunda-feira 6, da denúncia do Ministério Público Federal contra o banqueiro Daniel Valente Dantas e mais 14 pessoas, Protógenes Queiroz comemorou o fim de um longo, interminável, ano. Em 8 de julho de 2008, após quatro anos de investigação, o delegado deflagrou a Operação Satiagraha. Prendeu, então, além de Dantas, dono do Grupo Opportunity, o especulador Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Mas, para o delegado da Polícia Federal, foi como abrir as portas de um inferno particular. Um mês depois, estava afastado da investigação. A partir de então, teve a casa invadida por colegas da PF, computadores e documentos pessoais apreendidos, foi processado, sofreu sindicância interna e, finalmente, foi afastado das funções de delegado, em abril de 2009, acusado de atividade político-partidária.
Em meio a tudo isso, perdeu vantagens salariais, sofreu ameaças de morte e foi obrigado a submeter um dos filhos, de apenas 8 anos de idade, a tratamento psicológico. O garoto estava presente, em novembro do ano passado, quando agentes da PF entraram na casa de Protógenes Queiroz, com um mandado judicial, atrás de provas que o ligassem a vazamentos de informação durante a Satiagraha. Desde então, o menino passou a ter pesadelos, insônia, pavor de ficar sozinho e problemas de aprendizado. Enquanto isso, Daniel Dantas flanava em liberdade graças a dois habeas corpus concedidos, em menos de 48 horas, pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes.
Para piorar a situação, o nome “Satiagraha” passou a ser uma expressão maldita dentro da Polícia Federal comandada pelo diretor-geral Luiz Fernando Corrêa. O inquérito, assumido pelo delegado Ricardo Saadi, depois do afastamento de Queiroz, caminhou lentamente e sem novidades. Deixou de levar em conta uma série de informações, por exemplo, sobre as movimentações fraudulentas de Dantas em torno da unificação das telefônicas Brasil Telecom e Telemar/Oi – a chamada “BrOi”. Também ignorou a participação do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, do PT, no esquema de tráfico de influência do dono do Opportunity dentro do Palácio do Planalto.
Tudo mudou a partir da denúncia -assinada pelo procurador federal Rodrigo De Grandis, encaminhada ao juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. No documento, as principais incidências de ações referentes à gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro gravitam em torno das operações do Opportunity Fund, o fundo internacional de investimentos montado por Daniel Dantas nas Ilhas Cayman, em 1992. Durante a Operação Satiagraha, os agentes federais constataram a presença de cotistas brasileiros, com residência no Brasil, entre os clientes do fundo, expediente vedado pela lei. Também foi constatada a transferência ilegal de recursos da Brasil Telecom, quando controlada por Dantas, para o Opportunity Fund, provavelmente para lavar dinheiro obtido em golpes financeiros ou de corrupção.
Finalmente, Daniel Dantas é apontado como um dos grandes financiadores do chamado Valerioduto, o esquema de captação de dinheiro montado pelo empresário Marcos Valério de Souza, figura central do escândalo conhecido por “mensalão”. Ele atuou como atravessador de verbas de caixa 2, primeiro, na campanha de reeleição do então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. Depois, apareceu como distribuidor de recursos para políticos do PT e de outros partidos da base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.






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