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fev 03

VIOLÊNCIA INFANTIL – A JUVENTUDE PERDIDA – Por Cláudio Avelar – Tribuna do Brasil

  • 3 de fevereiro de 2010
  • Notícias

                                  

Procurando os motivos para os problemas que acompanham os jovens, poderemos enumerar uma série de precedentes. Mas o primeiro de todos, geralmente, começa dentro da própria casa, ou seja, a falta de estrutura familiar.

A família é o grande suporte e, sem dúvida, o elo mais fundamental para segurar as barras da garotada. Porém, muitas vezes, e até sem saber o que fazer e como impedir os problemas, os pais acabam por deixar os filhos a mercê da própria sorte e é nesse momento que um inimigo, nem tão oculto, invade os lares e ocupa um espaço fundamental.

A criminalidade! Sempre pronta a atuar e sem escolher, com detalhes, os seus parceiros, encontra espaço para se instalar dentro de muitas casas e seus donos, quando percebem, perderam espaço e não conseguem descobrir a porta de saída para o problema já em andamento.

Normalmente os problemas dos jovens começam a ser percebidos com a entrada no mundo das drogas, pois das mais variadas formas, cores e sensações, atacam de modo arrebatador a vida que até então não demonstrava sinais de incerteza, a não ser pela carência material e afetiva ou pelo sempre inconstante temperamento, típico da imaturidade.

Outro demonstrativo de que algo precisa ser feito é percebido quando o filho ou filha, começa a se aproximar das tradicionais más companhias e até mesmo de mini quadrilhas de malfeitores infanto-juvenis, as temidas e, quase sempre, violentas gangues.

Crianças desocupadas com baixo rendimento e que também nada tem a fazer durante o período em que estão fora da escola, são alvo fácil, pois sem opções de lazer, cultura, esporte, entretenimento e principalmente cursos profissionalizantes, sendo excluídos, buscam opções imediatistas de prazer e recompensa rápida. Pode-se então dizer, um “prato cheio” na mão dos criminosos.

O poder paralelo implementado pelas forças ocultas do crime é, muitas vezes, fomentado por conta da ausência do Estado, que omisso, permite que outras forças ocupem o seu lugar. Situação natural, quando não se tem muitas oportunidades, aliada, por vezes, àquela tradicional curiosidade e incessante busca pela adrenalina.

Problema instalado, ainda não é o caso de desespero, mas certamente algumas coisas precisam ser feitas com urgência, antes que o caos se instale definitivamente e as soluções fiquem cada vez mais longe.

No caso das drogas, que é um dos mais preocupantes problemas familiares, pois a porta de entrada para seu mundo é grande e sempre aberta, e ao contrário do que alguns usuários pensam e afirmam, a porta de saída é estreita e sempre existe um porteiro impedindo a passagem, de forma a corromper e desorganizar todo o sistema que envolve o jovem com esses problemas.

Presa fácil, quando percebe não consegue mais parar. Violência, rebeldia, pequenos furtos, baixo rendimento como início da evasão escolar. Depois disso, polícia, cadeia e o ciclo se completa com um futuro indefinido, ou melhor, todos sabem onde isso vai dar.

O necessário e fundamental para acender a luz no fim do túnel, fica nas mãos do poder público, ausente na maioria das vezes e constantemente resistindo ao reconhecimento de sua culpa, pois deixa nas mãos da própria família, já abandonada por ele há muito tempo, o dever de resolver o problema.

O que fazer então, ante as dificuldades? A família deve sempre encarar o problema, assim que os primeiros sinais são demonstrados, não esperando que o tempo se encarregue de buscar as soluções. A primeira palavra é amor, pois abraçando o filho largado e trazendo para a realidade, temos certeza que muita coisa vai mudar. Esse pequeno detalhe, independente da condição social ou financeira, certamente fará a diferença.

Quando a situação já está descontrolada e crítica, a saída seria procurar instituições que o ajudem a recuperar o menor abandonado pelo Governo, mas não podemos esquecer que a recuperação passa sempre por uma palavra de carinho. Vamos lembrar daquela antiga campanha: Você já abraçou seu filho hoje?

 (*) Cláudio Avelar é Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no DF, Bacharel em Direito e Administração com Especialização em Direito Público. É apresentador do Programa de TV Segurança com Cidadania www.claudioavelar.com.br

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