A Polícia Federal fechou o cerco à quadrilha que tentou vender as provas do Exame Nacional do Ensino Médio que seria realizado neste fim de semana. Dois homens já foram indiciados e agora os agentes estão à procura de Felipe Pradella, apontado pela dupla, em depoimento no sábado, como um dos responsáveis pelo vazamento.
Se Pradella não se apresentar hoje à polícia, a PF vai pedir sua prisão preventiva à Justiça Federal.
Foram indiciados por participar do crime de quebra de sigilo funcional – mas em seguida liberados – o DJ Gregory Camillo de Oliveira Craid, amigo de Pradella, e o empresário Luciano Rodrigues. Foi a dupla quem tentou vender aos repórteres de O Estado de S. Paulo as provas. Pradella foi quem teria repassado os exames aos dois.
As datas da nova prova serão anunciadas na quarta-feira. A previsão é que o exame seja realizado na segunda semana de novembro.
Ontem, em Brasília, o ministro da Educação, Fernando Haddad, lamentou o ocorrido: – O país foi vítima de um ato de delinquência. Não só os estudantes, mas as universidades também.
Investigação
A Polícia Federal investiga se Pradella é segurança do Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção, empresa contratada para aplicação e logística do exame, ou se ele coordenava o manuseio dos cadernos de questões impressos na Gráfica Plural, em São Paulo.
No depoimento à Polícia Federal, Gregory disse que o plano era vender o exame “para repórteres” e “levantar um dinheiro”.
Ele disse ainda que, após Pradella lhe entregar as provas, procurou Luciano Rodrigues, publicitário e dono de uma pizzaria nos Jardins, na capital paulista.
Durante encontro na própria pizzaria, na terça-feira, Gregory e Rodrigues decidiram divulgar as provas para a imprensa por considerar “um furo jornalístico de grande importância”.
Com o exame em mãos, Gregory e Pradella procuraram a reportagem de O Estado de S.
Paulo na quarta-feira, dia 30, para tentar vender o documento por R$ 500 mil. O jornal recusou a oferta e denunciou o caso ao Ministério da Educação.
O ministro Fernando Haddad, então, cancelou o Enem.
Gráfica
A Gráfica Plural negou em nota, no sábado, que tenha falha na segurança e qualquer ligação com os investigados.
A Plural, uma parceria do Grupo Folha com a empresa americana Quad/Graphics, afirma em nota divulgada que foi procurada pela Polícia Federal para prestar informações sobre um dos investigados, mas não divulgou o seu nome.
“Após levantamentos, a Plural informou à polícia que tal pessoa não é e nunca fez parte de nosso quadro de funcionários e colaboradores”, diz a nota assinada pelo diretor geral da gráfica, Carlos Jacomine.
A gráfica ressalta na nota que “cumpriu rigorosamente” todas as determinações do contrato em relação à segurança, como também tomou medidas adicionais às previstas.
A empresa também se colocou à disposição das autoridades e informa que tem colaborado com as investigações.
O Ministério da Educação debate hoje, em Brasília, em encontro com reitores das universidades federais, datas específicas para os exames. Este ano, a maioria das federais decidiu usar o Enem, pela primeira vez, como uma das portas de entradas no vestibular. (Com agências)






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