A Polícia Federal vai fazer o cruzamento dos documentos obtidos nas buscas e apreensões ocorridas durante a Operação Caixa de Pandora, em 27 de novembro, e no último sábado. No fim de semana de carnaval, agentes da PF vistoriaram salas do Palácio do Buriti e do Buritinga — a sede do Governo do Distrito Federal em Taguatinga — e no Posto do Na Hora, no SIA, além de residências de suspeitos de participar da suposta rede de corrupção envolvendo o Executivo, o Legislativo e empresários da cidade. A partir de quinta-feira, o delegado à frente do caso, Alfredo Junqueira, deverá começar a análise do material recolhido há três dias.
As buscas e apreensões foram determinadas pelo ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável pelo inquérito judicial. Na primeira, realizada no ano passado, durante a Operação Caixa de Pandora, os agentes coletaram documentos, dinheiro e computadores, mesmos itens apreendidos no sábado. A ação da Polícia Federal foi atípica, já que operações dessa natureza não são comuns em fins de semana e nos feriados. Alguns dos alvos eram citados na investigação anterior, mas não tinham sido vasculhados pela PF.
Segundo fontes policiais, o cruzamento entre as duas ações não é tão frequente. Nesse caso, apesar de as buscas terem sido realizadas em datas distintas — uma diferença de 79 dias — os alvos são próximos aos principais investigados na Operação Caixa de Pandora. A PF espera elevar o rol de envolvidos, inclusive com ligações políticas com o GDF. O delegado Alfredo Junqueira não fala sobre as apurações, alegando que o inquérito é da Justiça.
Perícia
O Setor de Inteligência da PF deverá receber os últimos resultados dos exames periciais da Operação Caixa de Pandora ainda neste mês. A partir daí, começam os cruzamentos com o material recolhido no sábado. Alfredo Junqueira pediu ao ministro Fernando Gonçalves, há alguns dias, mais tempo para complementar a investigação. Quando encaminhar o relatório das recentes ações policiais, o delegado pode sugerir ao ministro do STJ que todos os inquéritos referentes aos investigados sejam anexados ao da Operação Caixa de Pandora.
Desde que José Roberto Arruda foi preso, na última quinta-feira, o delegado esteve uma vez no Complexo da PF, no Setor Policial Sul, mas não chegou a conversar com o político. Junqueira também não chegou a tomar depoimentos dos outros cinco detidos: Rodrigo Arantes, ex-secretário particular de Arruda; o suplente de deputado distrital Geraldo Naves; Haroaldo Carvalho, ex-diretor da Companhia Energética de Brasília (CEB); o ex-chefe da Agência de Comunicação do GDF Weligton Moraes; e Antônio Bento, que entregou dinheiro ao jornalista Edson Sombra numa suposta tentativa de suborno que teria sido orquestrada para minimizar provas contra o governador. Todos eles foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória da Papuda, onde ficam em uma ala reservada a presos pela PF.






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