
Estádio de futebol – Tradução: Locais onde pessoas jogam por diversão ou por dinheiro e que outras pessoas assistem somente por diversão ou por amor. Pelo menos deveria ser essa a definição, porém nos últimos tempos podemos definir como sendo: Locais onde pessoas se batem e se mostram para valorizar seus contratos de publicidade ou aumentar o valor de seus passes, assim como, outras pessoas, vão assistir os jogos e depois de se amontoarem, se agridem tal qual acontecia nas “arenas de gladiadores”.
A violência que permeia os jogos esportivos está ainda longe de uma solução, pois apesar dos inúmeros casos em que torcedores e populares em geral se machucam e até mesmo acabam com a vida alheia ou com sua própria, nada de concreto foi implementado.
Torcidas organizadas já foram flagradas incentivando seus sócios a praticarem atos de vandalismo desmotivado, mas violento na essência por uma busca incessante de um domínio, que na verdade não deveria existir. O futebol deveria ser jogado apenas dentro do campo, mas por conta dessas atitudes de alguns vândalos, o esporte nacional acaba perdendo espaço.
Recentemente assistimos a alguns debates em que estariam propondo que jogos iniciassem apenas às 22 horas. A princípio não deveria haver problema, mas vamos aos reais motivos. O que impede o jogo de começar às 19h ou20h? Novela, jornal nacional ou o que mais? A que interesses o futebol terá que continuar a se render em detrimento do coletivo?
E a segurança na saída como irá funcionar? Por volta de meia noite saindo do estádio e até chegar em casa, de ônibus, trem ou metrô. Quer dizer que o torcedor, mais uma vez, fica refém de situações financeiras que o preço pago pelo seu ingresso não pode custear.
Em Brasília, no ano passado, após uma briga de furiosos torcedores, inadvertidamente, por susto, despreparo ou pelo simples fato de estar no lugar errado, um policial militar ao tentar impedir uma fuga acabou matando, tudo indica, por acidente, um jovem torcedor, que talvez não tenha medido as conseqüências do furor de seus atos juvenis recheados de testosterona.
Percebeu-se pelos noticiários a surpresa do policial pelo acontecido e a tristeza dos amigos que foram se juntando, sem falar da família que jamais esperaria que algo semelhante pudesse acontecer num simples jogo de futebol.
O fato é que as autoridades públicas devem desenvolver uma fórmula que permita, ao mesmo tempo, inclusão social, porém com segurança. Registro de torcidas e torcedores; foto e filmagens de todos que ingressarem nos estádios; identificação completa; Raio X; infravermelho e mais uma infinidade de medidas podem e devem ser iniciadas. Aliás, já deveriam estar em pleno funcionamento e só ainda não estão por pura inércia do Estado, ausente como sempre e que espera o arrombamento pra colocar uma tranca mais segura.
Pode uma família sair de casa, a princípio na busca de diversão e encontrar sofrimento? Por que ainda não se fez o que a população espera. Não adianta multar as torcidas e suspender jogos, pelo simples fato de que os criminosos que se camuflam com cara de torcedores, não passam de fanáticos a procura de satisfação pessoal e na primeira oportunidade certamente voltam a agir, como um serial killer que cedo ou tarde voltará a atacar gozando da impunidade, apesar de deixar transparecer seus métodos quase sempre tão iguais, que até parece estar brincando ou participando de um simples jogo, em que move as peças de acordo com seu bel prazer.
Gostaria de poder parabenizar o sucesso do plano de contenção de conflitos esportivos, mas acontece que não existe plano a não ser contar com a sorte e com o fato de que naquele jogo, os violentos talvez eventualmente prefiram atuar em outras freguesias.
Espero sinceramente o dia em que poderemos divulgar que o povo pode ficar tranqüilo e que as famílias podem se dirigir tranquilamente aos estádios juntamente, inclusive com seus filhos e suas esposas. Fico até feliz quando vejo uma cena na TV mostrando moças bonitas e crianças sorrindo ou chorando de emoção, mas me entristeço profundamente quando horas depois conheço a realidade das brigas do lado de fora dos estádios ou das depredações de ônibus e automóveis que levavam torcedores ou que simples e inadvertidamente passavam pelos arredores do campo minado.
Quando a polícia age com violência é mais brutalizada, quando age com brandura é massacrada pelos covardes, quando não age, simplesmente assistindo as cenas é omissa, ou seja, falta regra, falta política pública e finalmente falta o sentimento de companheirismo que há tanto tempo abandonou os corações já endurecidos do cotidiano também violento.
Campanhas informativas podem também ser o primeiro passo para a solução do problema, ao invés de gastarem o dinheiro público com propaganda das obras que nada são, além de obrigação governamental na busca de melhorias para o povo, podem definir métodos e motivar o sentimento de harmonia perdido, mas que pode voltar, afinal todos creem que Deus é brasileiro.
*CLÁUDIO AVELAR é Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no DF, é Bacharel em Direito e Administração com Especialização em Direito Público. É apresentador do Programa de TV SEGURANÇA.COM CIDADANIA. www.claudioavelar.com.br






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