Por Jose Carlos Nedel Fagundes
A horrorosa, dizem, andou.
Segundo o Diretor Geral da PF, o projeto de Lei Orgânica “a horrorosa” será encaminhado nos próximos dias, pelo Presidente da República ao Congresso Nacional.
Uma nova frente de trabalho e lutas se aproxima paro o Congresso Nacional e, portanto, para sindicatos, sindicalizados e a Fenapef. Todos serão importantes para tornar a Polícia Federal do Brasil e não dos delegados.
O projeto tem lá suas qualidades, como a justíssima gratificação de fronteira, o reconhecimento do nível superior, a tabela onde APF, EPF e PPF especial têm vencimentos iguais ao do DPF e PCF de segunda classe.
Mas convenhamos, ainda é pouco para uma lei que deverá nortear a vida de todos na Instituição por muitos e muitos anos. A horrorosa compromete o futuro da PF e das futuras gerações de policiais não delegados. Nela, a minoria tem mais braços do que uma medusa, e a maioria está sem os dois braços e sem grande parte do cérebro. As atribuições da minoria são “superfaturadas” e da maioria menosprezada.
A minoria colocou o bode na nossa sala. Está esfregando as mãos como os avarentos fazem, só esperando o seu “quinhãozão”. E aí você vai deixar fazendo de conta que nada pode ser feito, bem típico dos acomodados, ou pior, como os covardes?
Todos prestem atenção: uma lei orgânica para a PF, não é um problema só das diretorias dos sindicatos e da Federação, mas de todos que trabalham na Instituição. E mais, é um problema do Brasil, porque ou desentortamos esta Polícia Federal que está aí ou é questão de tempo para ela cair no buraco que “os seus dirigentes” cavam dia-a-dia. O crime organizado está a-do-ran-do!
Não falo com a intenção de ser negativo. Já faz um bom tempo que não tenho mais planos na PF para mim. Meus amigos mais próximos sabem disto. Mas eu gosto muito da casa onde passei a maior parte da minha vida. Onde vivi honradamente e através dela criei meus filhos e adquiri o pouco que tenho. Quero-a muito bem.
Está em jogo o futuro de tudo e de todos que são diretamente ligados à Polícia Federal. Sempre digo: antes de sermos policiais, somos cidadãos e temos a obrigação redobrada de descruzar os braços e ajudar nesta empreitada. Todos ao fazerem isto, irão surpreender-se para melhor, podem ter certeza.Relacionado ao reenquadramento dos colegas da terceira classe, grande parte do êxito deve ser creditado ao presidente Wink, que foi o grande responsável e mentor nesta reta decisiva, ao cobrar insistentemente de todos, presidentes e sindicalizados, uma atitude mais enérgica em prol dos colegas, além das inúmeras visitas com chá de banco nos gabinetes de Brasília.
A nossa sorte neste episódio é que havia delegados nesta situação também, o que obrigou o DG parcial a ter que atuar em prol de todos. Ou alguém tem dúvidas?!
Quanto aos colegas administrativos, antes tarde do que nunca. Na mensagem do DG ele diz que foi encaminhado “…ao Ministro da Justiça o referido anteprojeto, construído em negociação com o Planejamento e com a categoria”.
Primeiro, perguntando a alguns servidores administrativos se eles conheciam o projeto “…construído com a categoria” a resposta foi não. Hiiii!
Segundo, o projeto foi encaminhado ao Ministro da Justiça e não para o Congresso, o que tem forte probabilidade de ficar engavetado embaixo de outras propostas, papéis velhos e de pseudo-intenções.
Vamos aguardar, acompanhar e ajudar, mas a história é uma grande escola e diz para não nos iludirmos com palavras de DG em dias de festa ou perto de eleições.
Aos servidores administrativos da Polícia Federal, já passou da hora de investir na valorização deles. A cada dia o quadro diminui e a desmotivação aumenta. E a PF enfraquece com os seus terceirizados e estagiários.
Portanto, senhoras e senhores sindicalizados e não sindicalizados, é a hora de arregaçarmos as mangas para trabalhar em prol de nós mesmos e da nossa sociedade, melhorando a nobre Instituição na qual trabalhamos. Não “delegue”, mas “aja, escreva, digite, pericie, administre” a seu favor. Lembrem-se, é preciso querer trabalhar e não ser obrigado a trabalhar! Só assim a maioria sairá vencedora.
Jose Carlos Nedel Fagundes é presidente do Sinpofesc ( Sindicato dos Policiais Federais de Santa Catarina)






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