
Mais uma semana em que continuam as notícias sobre acidentes fatais que envolvem motoristas embriagados. Vítimas inocentes e volantes irresponsáveis, uma combinação que resulta em tragédia para os sobreviventes e familiares.
Nessa última semana, a imprensa televisiva divulgou as imagens de um casal que foi flagrado, por volta das 09h30 da manhã, completamente embriagados. Parece até que não sabiam, mas o carro estava sem um dos pneus. O motorista mal conseguia ficar de pé quando os policiais o abordaram e a companheira, por sua vez, também dava sinais visíveis da bebedeira.
A maioria das pessoas no início criticou a lei pelo rigor excessivo e principalmente por colocar todos que bebem na mesma condição. Em princípio, a reação dos freqüentadores de bares e restaurantes foi contrária à nova legislação, mas tantos são os casos do excesso de álcool, combinados com a direção, que pouco se fala sobre o rigor da fiscalização.
É certo, que se poderia separar quem bebe uma latinha de cerveja de quem bebe uma caixa, porém, devemos reconhecer, que cada organismo reage de um jeito, independente do quanto. Existem casos em que um indivíduo que ingeriu pequena quantidade de bebida alcoólica demonstra estar completamente embriagado, porém, outros possuem maior resistência e conseguem beber mais e não perder o controle.
Alguns países são críticos do resultado e não medem o perigo pela quantidade de álcool ingerido, mas sim pelo efeito que causa no organismo. Na fiscalização, policiais aplicam testes simples que demonstram o quanto está afetado.
De qualquer forma, está sacramentado o perigo de beber e dirigir e talvez a lei seja flexibilizada para quem não cometeu nenhum excesso, mas certamente será, cada vez mais, endurecida para quem, por irresponsabilidade, cometeu um abuso causando qualquer tipo de tragédia.
No Paraná, um Deputado após ingerir grande quantidade de álcool, bateu seu carro causando mortes e sofrimento. Na última sexta feira, apesar de ainda estar hospitalizado, renunciou ao mandato parlamentar ficando livre do processo de cassação, motivado principalmente pela revolta da população.
Afirmou que renunciou para que pudesse ser processado pelo crime que cometeu sem a proteção da função pública. Pode ser verdade, tomara que seja, mas sabemos que a opção da renúncia, impede a cassação e lhe permite o retorno nas próximas eleições, o que seria impossível se fosse cassado.
De qualquer forma, fica o exemplo negativo da figura pública, eleito pelo povo para representá-lo. Uma figura pública que tira a vida de alguém, que talvez tenha até mesmo sido um de seus eleitores, por descumprir uma lei em vigor em todo o território nacional e deixando, ainda, de atender o pedido dos amigos que tentaram impedir que pegasse o volante.
Difícil, pois alguém já viu um bêbado atendendo a conselhos. Impossível e melhor seria não beber ou então que beba, mas não dirija, Com o salário que recebe como deputado poderia, muito bem, ter chamado um táxi e não causado o infeliz acidente.
Até esse momento, salientamos as obrigações de qualquer cidadão, mas não podemos nos esquecer dos deveres do Estado que deve propiciar até mesmo aos bebuns, segurança para dormir dentro do carro ou até mesmo para deixá-lo na rua e ir embora de táxi ou de carona.
Todos sabem que as ruas são perigosas e até mesmo o João Canabrava sabe que ficar dando sopa dentro do carro, enquanto o pileque vai embora, pode representar um furto, roubo ou até mesmo um seqüestro relâmpago. No caso de resolver deixar o carro no bar por ter bebido, pode favorecer a vida dos ladrões, pois nas altas madrugadas, com as ruas desertas e sem policiamento, pode não encontrar seu carro ao retornar já curado do porre.
Na verdade os problemas sociais são causados por uma série de fatores. Nada acontece por acaso e muito menos de forma isolada. Faltam campanhas públicas de conscientização dos riscos do álcool e drogas e falta também a estrutura necessária para dar segurança a quem bebeu e não quer dirigir.
Não estamos justificando os excessos, mas a responsabilidade sempre é do Poder Público em dar condições para a prevenção. Não adianta apenas punir quem comete um crime, mas sim evitar que ele ocorra. É mais barato conscientizar o cidadão do que gastar com remédios e hospitais. Quem não se lembra da velha frase? Melhor prevenir do que remediar.
Os governos são sempre reativos, ou seja, reagem aos problemas depois que eles aconteceram. Por que não tratar o problema antes com campanhas maciças de rádio, jornal e televisão ao invés da ameaça, velada, dizendo que se beber vai ser preso.
Vamos demonstrar, antes, que não se deve dirigir após ingerir álcool, pois tal atitude pode tirar vidas, inclusive a própria. As propagandas públicas deveriam ser intensificadas com caráter social e o que vemos são apenas marketing pré-eleitoral para induzir previamente o voto.
Falta consciência, falta atitude.
(*) CLÁUDIO AVELAR é Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no DF, bacharel em Direito e Administração, especialista em Direito Público.






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