Analisando brevemente a provável nova estrutura organizacional do DPF, podemos perceber que todas as funções não-policiais receberam maior reconhecimento do que aquelas de cunho estritamente policiais.
Por Ubiratan Antunes Sanderson
Além do mais, institui diversas chefias intermediárias (espécie de barreira entre o chefe de Delegacia e os demais servidores), funções que deverão (obrigatoriamente) ser ocupadas por delegados, pois com a criação do SETOR DE INVESTIGAÇÃO E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO nas Delegacias Descentralizadas, caberá a um delegado o comando operacional da Unidade, já que tanto os Núcleos Operacionais quanto os Cartórios serão subordinados a tal Setor de Investigação. Este setor de investigações jamais poderá ser chefiado por um APF/EPF/PPF, pois tanto os agentes não podem/devem ser comandados por escrivães, quanto escrivães não podem/devem ser chefiados por agentes, por questões óbvias, restando, então, somente ao delegado tal mister. Outro exemplo disso são as criações dos SETORES EXECUTIVOS, SETORES DE CORREGEDORIA e SETORES DE INTELIGENCIA POLICIAL, funções voltadas exclusivamente a delegados.
Quando observamos a nova (proposta de) estruturação para o arcabouço da Direção-Geral e demais diretorias, verificamos que a pulverização de cargos de chefia em Brasília é ainda mais excêntrica, surgindo garbosas nomenclaturas como: Serviço de Governança da Gestão; Seção de Conformidade de Gestão; Serviço de Avaliação e Aperfeiçoamento Organizacional; Serviço de Acompanhamento e Atualização Normativa; Serviço de Desenvolvimento de Novos Produtos; Seção de Preparação, Gerenciamento e Controle de Termos de Cooperação; Seção de Análise, Integração e atualização de Bases de Dados; Setor de Apurações e Comunicações Primárias; etc.
Fica muito claro que essa reestruturação só haverá para acomodar os amigos do rei, com excesso de funções gratificadas para trabalhos não-policiais, com forte desprestígio às funções que realmente deveriam ser analtecidas, quais sejam: os encargos policiais. Isso fica muito evidente quando empresta a cargos como SELOG, NEOF, LICITAÇÕES, SRH e ASSESSORIAS DIVERSAS, etc., maior status funcional do que o destinado a chefes de Setores Operacionais, Cartórios Policiais ou Setores de Análise Policial, unidades que possuem viés estritamente policial.
É notório que, como ocorre em qualquer outra instituição, as atividades finalísticas devem ser melhor recompensadas do que aquelas de caráter intermediário, contudo, no que concerne à Delegacias Descentralizadas, o projeto de reestruturação do nosso DG dá a cargos como Recursos Humanos, Logística, Licitações, funções mais elevadas do que aquelas de cunho policial.
O mais interessante em tudo isso é que ninguém foi consultado sobre a tal reestruturação, criando-se setores desnecessários e extinguindo-se outros absolutamente úteis ao bom funcionamento da instituição, ficando comprovado tratar-se de mais um daqueles projetos feitos em gabinete, por quem jamais trabalhou na Polícia Federal de verdade.
Ubiratan Antunes Sanderson é Secretário Geral do SINPEF/RS
Fonte: Sinpef – RS






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