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mar 10

ARRUDA ATRÁS DE UMA BRECHA PARA DEIXAR A CARCERAGEM – Jornal do Brasil

  • 10 de março de 2010
  • Notícias

O ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, relator do inquérito do Mensalão do GDF, autorizou ontem o médico particular do governador afastado José Roberto Arruda a visitar o seu cliente, afim de submetê-lo a exame clínico, na prisão especial a que está recolhido, na Superintendência da Polícia Federal, desde o dia 11 de fevereiro. O pedido foi feito, pessoalmente, por Thiago Bousa, um dos advogados de Arruda. De acordo com o advogado Nélio Machado, que estava em São Paulo, o estado do governador afastado é de grande depressão.

A estratégia dos advogados do governador é conseguir um atestado médico comprovando que a saúde do governador está debilitada por causa da prisão.

A ideia é conquistar o direito à prisão domiciliar para Arruda já que o pedido de liberdade do governador foi negado na semana passada pelo Supremo Tribunal Federal.

Arruda foi visitado na noite de ontem mesmo pelo médico particular. Nos últimos dias, o governador se queixou de dores no tornozelo direito e de inchaço nas duas pernas. Os médicos que o atenderam na Polícia Federal recomendaram que ele passasse por exames.

Após 25 dias de prisão, Arruda deixou a Superintendência da Polícia Federal e foi levado, escoltado, para um hospital. A consulta, realizada na segunda-feira passada, levou uma hora e meia.

Segundo a Polícia Federal, os exames não apontaram nenhuma anormalidade no estado de saúde de Arruda e ainda descartaram a suspeita de trombose (formação de um coágulo de sangue)no tornozelo direito, que foi operado na ano passado poucos dias antes da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que investiga o suposto esquema de arrecadação e pagamento de propina que seria chefiado pelo governador afastado.

A mulher de Arruda, Flávia Arruda, afirmou ontem, após visitar o marido, que o ex-democrata está com um edema forte na perna direita, sem placa na safena, e que há dois dias não consegue ficar de pé.

Chorando muito e quase sem voz,Flávia disse que o pós-operatório, que estava sendo feito em casa e deveria durar quatro meses, foi interrompido com a prisão. Segundo ela,o governador usa atualmente apenas um elástico com extensão na perna direita e a fisioterapia, que era diária, limita-se a alguns exercícios. Curiosamente, essa foi a primeira vez desde que Arruda foi preso que Flávia aceitou conversar com a imprensa, justamente para falar sobre os problemas de saúde do governador afastado no mesmo dia que os advogados do governador conseguiram a visita de um médico particular.

Arruda também conseguiu autorização judicial para receber a visita da filha mais nova, Maria Luísa, de pouco mais de um ano. Flávia contou que Maria Luísa está com 41 graus de febre e anda pela casa calçando sapatos do pai, para matar as saudades.

A ultrassonografia com doppler, realizada no pé direito de Arruda,comprovou que o inchaço nada mais era do que consequência da operação a que ele se submeteu em novembro do ano passado. De acordo coma Polícia Federal (PF), o pé desinchou bastante após ser colocado para cima. De acordo com a PF, as veias do governador estão bem e medicamentos utilizados por Arruda antes da prisão foram considerado desnecessários pelos médicos antes mesmo de a primeira dose ser aplicada.

O advogado de Arruda, Thiago Bouza, negou que o interesse da defesa seja conseguir atestados médicos comprovando que Arruda está debilitado para tentar conseguir na Justiça prisão domiciliar para o ex-democrata.

Há uma preocupação com o estado de saúde do governador, que tem apresentado dificuldades nos últimos dias disfarçou.

Ontem,o plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal leu os pedidos de autorização do STJ para a processar o governador afastado.

Com isso, os requerimentos começam a tramitar pela Casa e seguem, agora,para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O STJ depende de autorização da Câmara para abrir ação penal contra o governador afastado. Uma vez na comissão que está sem presidente Arruda terá10 dias para apresentar defesa.

O relator do processo na CCJ será Chico Leite (PT), da oposição.

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