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dez 11

ARRUDA SAI DO DEM E FICA NO GOVERNO – Correio Braziliense

  • 11 de dezembro de 2009
  • Notícias

Em pronunciamento de seis minutos, governador deixa o partido, desiste de concorrer à reeleição e garante que terminará o mandato

O governador José Roberto Arruda (DEM) está fora das eleições no ano que vem. Na tarde de ontem, ele anunciou o desligamento do Democratas e, com a atitude, elimina a possibilidade de concorrer a qualquer cargo no próximo ano. Após anunciar sua desfiliação, Arruda afirmou que cumprirá o restante do mandato até o último dia de 2010, concluindo as obras em andamento. A decisão foi tomada para evitar a expulsão do partido, que deveria ocorrer hoje. A saída do DEM é consequência de um inquérito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que aponta o governador do DF como parte de um suposto esquema de corrupção envolvendo integrantes do Executivo e do Legislativo.

O desembarque do Democratas foi a última alternativa do governador para não passar pelo desgaste da expulsão, dada como certa no Congresso. Os advogados de Arruda tentaram assegurar sua permanência na legenda pela Justiça. Na noite de quarta-feira, a assessoria jurídica entrou com um mandado de segurança no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegando cerceamento de defesa. Mas a ministra Carmem Lúcia negou o pedido de liminar por considerar que o assunto deve ser tratado no âmbito do partido e não na instância judicial.

Em um pronunciamento de seis minutos (confira a íntegra abaixo), ontem à tarde, Arruda comunicou o desfecho político para a crise iniciada há duas semanas, com a Operação Caixa de Pandora(1), que investiga crimes como formação de quadrilha, peculato — uso do cargo público em troca de vantagem —, corrupção passiva e fraude em licitação. O envolvimento no escândalo agravado com a divulgação de fitas de vídeo produzidas pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa custou a vida partidária de Arruda, que anunciou ontem não concorrer mais a “nenhuma eleição” com as atuais regras eleitorais.

“Armadilhas”

Acompanhado da mulher, Flávia Arruda, de assessores mais próximos e de secretários recém-escalados para a reorganização de um governo atingido pelo escândalo, o governador insistiu na tese de que foi surpreendido por uma manobra comandada por pessoas que tiveram interesses pessoais, políticos e empresariais contrariados: “Hoje se voltam contra nós pelos caminhos das armadilhas, das insinuações e dos mais vis expedientes. A farsa montada foi o recurso usado pelos meus adversários para me tirar da disputa de 2010”.

O texto lido ontem pelo governador Arruda, sem brechas para perguntas dos jornalistas, foi construído na manhã de ontem na presença dos advogados e de aliados políticos, como o secretário de Transportes, Alberto Fraga (DEM). Partiu dele o aviso no início da tarde ao grupo político de que Arruda não seria poupado na votação da Executiva, apesar das palavras de incentivo que o governador do DF vinha recebendo de colegas do Democratas com quem conversou por telefone nos últimos dias.

Certo de que seria expulso, Arruda começou a preparar seu pronunciamento de despedida. Atacou adversários, relatou avanços de governo e ficou na dúvida sobre como tratar os colegas do DEM que forçaram sua saída. Os advogados não concordaram com a referência feita aos filiados. Mas, por conta própria, o governador incluiu o trecho: “Com esse gesto, evito o constrangimento dos meus amigos e companheiros do partido, de ter que decidir entre saciar a sede por atos radicais e midiáticos ou julgar com amplo direito de defesa e cumprimento dos prazos estatutários”.

Durante seu discurso, Arruda disse e repetiu que não será candidato. Negou dessa forma uma alternativa que vinha sendo costurada por seus assessores jurídicos, pela qual ele poderia se desfiliar, esperar o assunto esfriar e tentar mais uma vez por intermédio da Justiça retornar à legenda. Teria chance, incentivaram alguns amigos, de se eleger como deputado federal. Mas Arruda não quer arriscar um desgaste pessoal ainda maior do que o ocorrido até agora. Arruda deixará o DEM depois de oito anos de filiação, ocorrida em 2001, ainda quando o partido era chamado de PFL.

1 – Mandados

Deflagrada pela Polícia Federal, a operação é um esforço conjunto do Ministério Público, do STJ e da Polícia Federal. Há duas semanas, policiais cumpriram mandados de busca e de apreensão em 16 endereços de integrantes do primeiro escalão do GDF, de distritais, além de um conselheiro do Tribunal de Contas.

 

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