LÚCIO VAZ – Folha de São Paulo – DE BRASÍLIA
Após quatro horas de reunião fechada, a maioria dos deputados distritais da Câmara Legislativa do Distrito Federal decidiu aprovar a criação da CPI da Arapongagem. A comissão vai investigar o suposto esquema ilegal de informação instalado da Casa Militar do governo de Agnelo Queiroz (PT). A CPI será instalada nesta quarta em sessão plenária.
A deputado Celina Leão (PSD), que propôs a criação da CPI, afirma que cerca de 80 pessoas foram investigadas ilegalmente pela Casa Militar, entre elas procuradores, jornalistas e parlamentares. “Mais da metade dos deputados distritais tiveram seus sigilos violados”, disse a deputada.
Os distritais também aprovaram uma nota de repúdio à atuação do chefe da Casa Militar, Rogério Leão, e exigiram a sua exoneração do cargo no governo do Distrito Federal.
Celina tem sete assinaturas para criar outra CPI para investigar as ligações de Agnelo com Carlos Cachoeira, mas suspendeu esse pedido quando conseguiu o consenso sobre a CPI da Arapongagem.
“Melhor uma CPI aberta do que não ter nenhuma”, afirmou.
IMPEACHMENT
Ontem, o diretor do Comitê Ficha Limpa do Distrito Federal, Diego Ramalho Freitas, apresentou à Câmara Distrital do DF um pedido de impeachment de Agnelo por seu suposto envolvimento com a quadrilha comandada por Cachoeira.
A proposta tem pouca chance de ser aceita pelo presidente da Câmara, Cabo Patrício (PT). A denúncia se resume a cópias de reportagens publicadas nas últimas semanas sobre o caso Cachoeira que citam o governo Agnelo.
Não foram apresentados documentos que comprovem as denúncias nem foi indicado o local onde estariam essas comprovações, como exige a legislação.
Pela lei, qualquer cidadão pode apresentar um pedido de impeachment, desde que seja fundamentado.
Segundo afirmou o porta-voz do governo, Ugo Braga, o governador recebeu com “serenidade” o pedido, porque seriam uma reprodução das “acusações sem consistência” feitas contra ele.






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