
Recentemente mais um caso trágico chocou a opinião pública. Um garoto de 04 anos morreu esmagado por um portão eletrônico de uma garagem na Asa Norte, quando por engano tentava entrar.
De acordo com o que disseram os populares que presenciaram a triste cena, a criança estava perdida e inclusive teria pedido auxílio, que não foi prestado. Um carro conduzido por uma mulher ao avistar o menino no meio da rua, ainda buzinou para que ele saísse da frente, para que pudesse entrar em seu prédio.
Foi essa a primeira marca do descompasso, pois assustado e sem saber para onde ir, seguiu o carro e entrou na garagem, talvez pensando que fosse o seu porto seguro. Pouco tempo depois estava morto e sem receber ajuda que somente chegou quando não havia mais o que fazer.
Escrevo essas linhas procurando deixar as emoções de lado, o que é impossível, lamentando pela criança inocente que se foi, pelos pais que nada puderam fazer, mas também pela sociedade em geral que acaba por se omitir temendo problemas ou por conta da brutalidade imposta pelo cotidiano violento dos grandes centros.
Desapego, egoísmo, ausência de caridade e mais um monte de outros problemas se mostram nesse caso, mas que reflete que principalmente a lei do “cada um por si e somente Deus por todos” está plenamente em vigor.
A violência desmedida que além de brutalizar, acaba por banalizar as situações perigosas, fazendo que pessoas não consigam olhar para além do seu umbigo, fato delicado que pode sempre suscitar péssimas referências.
Tempos atrás outro fato incrivelmente absurdo estampava páginas dos jornais sem que providências fossem adotadas no tempo e medidas certas. Um centro de compras famoso da cidade, o maior do plano piloto, localizado na área central da cidade foi palco de nada menos que 12 suicídios com a completa inércia da administração do shopping.
O Poder público se mostrou ausente e as providências somente foram adotadas depois que muita gente protestou, além da cobertura sempre fiel e vigilante com as pertinentes cobranças da mídia. Coincidentemente, após tratarmos do assunto exigindo providências do Estado em nossa coluna semanal, o Ministério Público teria exigido que a segurança fosse reforçada. Esse simples ato foi suficiente para que não mais fossem registrados casos de suicídios.
O suicídio, de acordo com os estudiosos do assunto, é uma decisão quase sempre impulsiva e obstáculos ou fatos dificultadores, podem certamente demover o indivíduo conturbado da idéia de tirar a própria vida.
Sabemos ainda que a pessoa somente opta pelo suicídio após desistir de buscar outras opções e um pequeno fato pode modificar completamente o quadro. Facilidades não podem ser apresentadas às pessoas que passam por momentos de desequilíbrio.
Esses tristes acontecimentos narrados em nosso texto servem para demonstrar que o bem maior, ou seja, a vida não é tratada de forma adequada pelos governantes, pessoas que possuem a responsabilidade e o dever de prevenir, para evitar que a morte ou calamidades que poderiam ser facilmente evitadas, cheguem desnecessariamente.
Fica aqui mais um alerta para os omissos e os descompromissados com o interesse social. A vida sempre deve ser preservada e nem o lucro nem a correria diária podem fazer com que nos esqueçamos do próximo, já que um dia talvez precisemos de ajuda também.
(*) Cláudio Avelar – Presidente do Sindicato dos Policiais Federais, Bacharel em Administração e Direito Especialista em Direito Público, Apresentador do Programa de TV SEGURANÇA.COM CIDADANIA






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