A descriminalização do consumo de drogas sempre foi um tema polêmico. Recentemente a turma que defende o uso pessoal legal da maconha ganhou defensores de peso na América Latina, entre eles o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil. O posicionamento de Fernando Henrique trouxe novamente o assunto às páginas de revistas de grande circulação, internet, televisão e veículos impressos. No 1º Fórum “O Distrito Federal na Guerra Contras as Drogas”, promovido pelo Jornal de Brasília, os participantes apresentaram opiniões parecidas à respeito do tema.
Àqueles que são a favor da legalização, argumentam que dessa forma menos pessoas morreriam no combate ao tráfico de drogas. Além disso, ressaltam as propriedades terapêutica e medicinal da maconha e ressaltam que a repreensão ao tráfico dispende bilhões em todo o mundo.
O presidente do Sindicato dos Policiais Federais do DF, Luís Cláudio da Costa Avelar, expôs opinião contrária a esses argumentos e criticou a postura adotada pelo ex-presidente da República, durante o fórum do Jornal de Brasília, realizado no último dia 2, no UniCeub.
“Muito me surpreende Fernando Henrique Cardoso defender a liberação”, crítica Avelar. Segundo ele é mito caracterizar a droga como natural. “Muitas substâncias químicas são adicionadas à planta até que ela chegue ao consumidor. Natural, só se usar lá na plantação”, explica. Avelar também citou exemplos de países onde o consumo foi liberado e os problemas sociais se agravaram paralelamente ao aumento de usuários.
O promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDF), José Theodoro Corrêa de Carvalho, tem opinião similar sobre a polêmica. “Com a liberação o número de usuários de drogas no mundo saltaria de 5% para 30% ou 50%. A legalização pode resolver até uma parte do problema, mas agravaria o reflexo do consumo”, avalia.
Para ele a sociedade não pode cometer o mesmo erro como foi a “normalização” da bebida alcoólica e do tabaco. “Vemos hoje o exemplo do cigarro que está cada vez mais restrito”, acrescentou.
LIBERADO
Em alguns países europeus como Espanha, Suíça e Dinamarca, as pessoas podem fumar maconha sem medo de serem surpreendidas pela polícia. Isso porque lá o consumo é permitido. Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do DF, Luís Cláudio da Costa Avelar, essa liberação se reflete nos números. “Aqui no Brasil, 2,6% da população usam maconha, enquanto na Espanha esse contingente é de 11%”, compara.
Na Holanda, é possível comprar “baseados” (cigarros de maconha) tranquilamente nos pubs. Dessa forma o Estado acredita que mantêm o usuário longe do mercado negro dos traficantes e controla a qualidade dos produtos comercializados. Lá maconha, cogumelos e outros alucinógenos naturais podem ser usados pela população. A venda é permitida em estabelecimentos licenciados. Muitos são a favor da liberação em defesa do direito individual de cada um. Outros alegam que os problemas das drogas respingam na sociedade como um todo.






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