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set 20

Crack já é usado por 1 em cada 3 consumidores de drogas das capitais

  • 20 de setembro de 2013
  • Notícias

Fonte: O Estado de São Paulo

Um em cada três (35%) consu­midores de drogas ilícitas nas capitais do País usa crack, conforme pesquisa iné­dita da Fundação Oswaldo Cruz. O trabalho, encomen­dado pela Secretaria, de Políti­cas sobre Drogas do Ministé­rio da Justiça, indica que a maior parte dos usuários está na Região Nordeste.

Dos 370 mil consumidores re­gulares de crack ou similares (merla, pasta base e oxi), 148 mil encontram-se na região. Es­tima-se que 43% da população que usa regularmente drogas ilí­citas nas capitais do Nordeste consome crack. Nesse levanta­mento entra Felipe da Silva, de 23 anos, que desde que conhe­ceu e se viciou no crack no Reci­fe, há oito anos, traficou, assal­tou, se meteu com agiotas, feriu com faca e tiro, perdeu empre­go e até a mulher, com quem tem uma filha de 2 anos.

Ele chegou há dez dias a um centro de acolhimento levado pe­la mãe – no intuito de salvá-lo de ser assassinado por causa de dívidas. Segundo Silva, só dois colegas mudaram de vida, porque viraram “crentes”. “Eu tentei, mas a Igreja não me segurou.”

Outro exemplo, em Salvador, é Carlos Souza. “Eu não tinha: ideia de que me viciaria na primeira pedra”, diz. Nem mesmo a morte da mulher por overdo­se e a perda de um filho, assassi­nado por traficantes, detiveram seu ímpeto.

Depois do Nordeste, em nú­meros absolutos, o maior núme­ro de usuários de crack está nas capitais do Sudeste. A região reúne 113 mil consumidores re­gulares. Porcentualmente, po­rém, o problema é mais grave no Sul: 52% das 72 mil pessoas que usam regularmente drogas ilícitas consomem crack.

O trabalho foi feito com base em dados coletados em 2012 com 25 mil residentes nas capi­tais. De acordo com a Fiocruz, trata-se do maior e mais com­pleto levantamento do mundo.

O estudo indica ainda que 14% dos usuários são menores de idade. Isso equivale a 50 mil crianças e adolescentes. Tam­; bém nesse caso a pior situação é ; no Nordeste. Nas capitais da re­gião, cerca de 28 mil crianças e adolescentes consomem reguarmente crack e similares.

Explicação» O secretário nacio­nalde Política sobre Drogas, Vitore Maximiniano, observa que o uso do crack está relacionado a situações de extrema vulnerabilidade. Algo que poderia explicar, em parte, a maior prevalên­cia no Nordeste. “Os indicadores de desenvolvimento huma­no, como educação e renda, são menores ali”, observou. A lógi­ca, no entanto, não se estende ao Sul, região que igualmente preocupa pelo porcentual de usuários. “São situações distin­tas. A região historicamente apresenta índices mais eleva­dos de uso.” 

Leia mais:

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