Pelo menos dez devem disputar as eleições para 2010. Apesar de ser a instituição de maior credibilidade, Polícia Federal não consegue eleger representantes
Maria Clara Prates
Com o início da corrida por uma vaga na Câmara dos Deputados e no Senado nas eleições do próximo ano, a falta de representatividade da Polícia Federal no Legislativo preocupa futuros pretendentes ao cargo. Na contramão da alta credibilidade adquirida junto à população, que lhe concedeu o primeiro lugar no ranking das instituições brasileiras, de acordo com pesquisa encomendada pela Associação dos Magistrados, em 2007, os federais conseguiram eleger no último pleito apenas um representante da categoria. Figuras conhecidas nacionalmente, como vários diretores-gerais da corporação – Agílio Monteiro, Vicente Chelotti e João Batista Campelo –, que se lançam nessa aventura viram seus sonhos políticos ruírem e conheceram o ostracismo. Por ironia, sucesso mesmo só teve o senador Romeu Tuma, ex-diretor da PF que, entretanto, é delegado de Polícia Civil.
Apesar dos insucessos, a expectativa para a eleição de 2010 é de que pelo menos 10 delegados deixem a PF para tentar a vida política na Câmara dos Deputados, sem considerar a disputa nos legislativos estaduais, segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Federal do Distrito Federal, Cláudio Avellar, que será candidato pelo PCdoB.
A corporação, de acordo com a assessoria de imprensa do Departamento de Polícia Federal (DPF), em Brasília, não tem estatísticas sobre os pedidos de licença em anos anteriores, porque são contabilizados com os afastamentos por doença, estudo, entre outros. Para Cláudio Avellar, um dos motivos da baixa representatividade é a falta de uma candidatura que represente a categoria. “A maioria dos candidatos se lança por esse caminho apenas movidos por um projeto pessoal”, explica o sindicalista.
Até agora, dos quadros da PF, somente a candidatura do delegado federal afastado Protógenes Queiroz (ex-presidente do inquérito da Operação Satiagraha, que tinha como alvo os negócios do banqueiro Daniel Dantas), ganhou as ruas explicitamente. Outras já se desenham sem constrangimento, como a do ex-superintendente da PF de Alagoas José Pinto Luna, que disputa uma das duas vagas ao Senado. Petista, Luna vai enfrentar nomes de peso na política local, como o senador Renan Calheiros (PMDB) e Heloísa Helena (PSOL), mas não vê dificuldades para se eleger.
Já o secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, delegado Rodney Rocha Miranda, timidamente, se filiou ao Democratas, no mês passado, mas admite apenas uma possível candidatura.
PROJEÇÃO
Para Hélvio de Avelar Romão, professor de estratégia e marketing da Pontifícia Universidade Católica (PUC), o prestígio da Polícia Federal não se traduz em sucesso eleitoral por diversas razões, entre elas pela dificuldade de conseguir projeção nacional do trabalho realizado. “Poucos conseguem, como Protógenes, essa projeção em todo o país. Outro problema é que as ações da PF não chegam à maior parte da população”, afirma Romão.
Para ele, a falta de capilaridade dos federais nos estados é outro impeditivo. “Com o efetivo da PF no estado, não é possível eleger um deputado federal. Entretanto, quando se trata da Polícia Militar, isso é possível”, lembra. Nesta mesma linha de raciocínio, o policial federal e candidato Cláudio Avellar faz as contas e confirma a dificuldade. “Minha candidatura foi uma decisão da categoria e ainda assim, se tiver votos apenas da corporação e suas famílias, eles chegam a 10 mil votos, insuficientes para a minha eleição”, afirma.
FECHADA E RUIM DE VOTO
O ex-deputado e delegado federal Moroni Torgan, que desde julho está em Portugal se dedicando a uma missão morman da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, deixou a vida política depois da terceira tentativa fracassada de se eleger prefeito de Fortaleza e de 21 anos de vida pública. De Portugal, Torgan diz que não sabe se vai tentar retornar à Câmara dos Deputados e que terá pelo menos três anos pela frente para decidir. “Minha missão aqui vai se estender por três anos. Atendo um chamado do profeta que é prioridade em minha vida como um morman praticante”, desconversa.
Torgan concorda que a PF é ruim de voto e que somente quem tem maior visibilidade consegue sucesso na vida política. “A Polícia Federal ainda é uma instituição muito fechada, muito técnica, o que dificulta o acesso a uma cadeira na Câmara”, explica.
Para o ex-deputado, ocupar o cargo de secretário estadual de segurança pública é um impulso importante e esse é o caso do deputado Marcelo Itagiba (PSDB), único representante da corporação hoje no Congresso. Mas, por esse raciocínio, pelo menos 16 federais teriam chances de ocupar o cargo em diferentes estados.
Certo, porém, é que na PF o cargo de maior visibilidade – diretor-geral – parece carregar uma maldição. O prestigiado delegado Agílio Monteiro, que apaziguou a PF durante o governo tucano Fernando Henrique, viu suas pretensões acabarem com duas derrotas à Câmara. Quem passou mais próximo do sonho da política foi Vicente Chellotti, o diretor-geral da PF, que rachou a corporação e conseguiu ficar apenas um mês no cargo como suplente.
Errata do Sindipol: A jornalista do Estado de Minas se equivocou ao dizer na matéria que o Presidente do Sindipol/DF, Cláudio Avelar ocupa o cargo de Delegado de Polícia Federal. O correto é que ele ocupa o cargo de Agente de Polícia Federal. “Ocupo cargo de Agente de Polícia Federal com muita honra!”, disse Avelar.






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