FILIPE COUTINHO
O deputado distrital Geraldo Naves (sem partido), solto na segunda-feira após dois meses na prisão, inocentou nesta quarta-feira a participação do ex-governador José Roberto Arruda (sem partido) na tentativa de suborno a uma testemunha do mensalão do DEM.
“Nunca ouvi do governador, em momento algum, qualquer tipo de proposta ilícita”, disse o deputado distrital.
Geraldo Naves foi preso no dia 11 de fevereiro, junto com Arruda. Eles foram acusados de subornar uma testemunha do mensalão do DEM. Naves foi preso como um emissários de Arruda na negociação do suborno. Naves levou um bilhete de Arruda para o jornalista Edson Sombra, o que segundo a Justiça, foi uma prova de que o ex-governador era o mandante.
O discurso de Naves na Câmara Legislativa foi a primeira declaração do deputado após a prisão. Na tribuna da Câmara, Naves disse que se sentiu condenado, “sem ser acusado de nada”.
“É assim que me sinto hoje: condenado a pena de um ano de prisão e com um sexto da prisão fui colocado em liberdade. Mas condenado por quem? Não fui réu, não fui ouvido, mas fui enjaulado”, disse o deputado distrital.
Geraldo Naves será um dos 24 deputados distrais que escolherão o novo governador do DF no sábado (17). No discurso, o deputado não falou sobre quem votará. “Não serei marionete de ninguém”, disse.
No discurso, o deputado repetiu sua versão sobre a entrega do bilhete de Arruda a uma testemunha do mensalão do DEM.
“Fui procurado pelo jornalista Sombra, que me pediu ajuda para ter acesso ao governador. Quando fui conversar com Arruda, o governador foi anotando o que ia pensando. Ele pegou as anotações e ia jogar num triturador. Eu disse: me dê para me lembrar dos tópicos”, disse Naves.
Segundo Naves, a anotação não foi destinada por Arruda à testemunha do mensalão do DEM. “Eu peguei o papel, mostrei para o Sombra e guardei no meu bolso. Ele me ligou no dia seguinte e pediu o papel”.






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