# Lilian Tahan
A reunião da CPI da Codeplan foi quase uma paródia da sessão extraordinária da última quarta-feira, em que o presidente interino da Câmara Legislativa, Cabo Patrício (PT), resolveu encerrar as atividades e adiar para a próxima semana a eleição do novo chefe da Casa Legislativa. A sessão de ontem foi aberta com denúncias, apimentada com insultos e encerrada intempestivamente, assim como ocorreu um dia antes. Mas ontem foi Batista das Cooperativas (PRP) quem conduziu os trabalhos na condição de vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, transferida uma vez mais sem que se resolvesse quem presidirá os trabalhos de investigação.
Batista das Cooperativas abriu a reunião da CPI, criada sob o argumento de investigar as denúncias de corrupção que vieram a público com a Operação Caixa de Pandora, com a missão governista de fazer o contra-ataque ao PT, que um dia antes terminou a sessão sem eleger o presidente da Câmara, dando assim mais tempo para as negociações em torno da troca de comando. Batista levou ao plenário recortes de reportagens e ameaçou relembrar denúncias contra Cabo Patrício e Paulo Tadeu.
Na quarta-feira, foi Patrício quem usou do expediente para atacar os governistas, lendo em plenário denúncia publicada na internet de que deputados da base teriam recebido R$ 4 milhões para livrar o governador José Roberto Arruda (sem partido) do impeachment. “Um homem de 37 anos deu uma birra, virou as costas para 19 distritais e foi embora. Isso não se faz”, provocou Batista. Patrício não esteve na Câmara ontem.
O grupo de investigações ficou ainda mais disperso com o anúncio de Eliana Pedrosa (DEM) de que sairia da CPI. A distrital disse que a desistência deve-se à preocupação com a proporcionalidade da composição da CPI, já que o colega de partido Geraldo Naves (DEM) entrou na vaga deixada por Alírio Neto (PPS).
A saída de Eliana, no entanto, indica o afastamento da deputada do grupo dentro da Câmara mais ligado a Arruda e a disposição da parlamentar em levar adiante sua candidatura à presidência da Casa(1), mesmo sem a aprovação do governador. Arruda trabalha para elevar à chefia do Legislativo Wilson Lima (PR). Mas foi surpreendido com a iniciativa do PT, que remarcou para a próxima terça-feira a eleição do presidente e deu, com isso, mais chances a Eliana.
Para complementar a contraofensiva governista, o distrital Geraldo Naves (DEM) leu uma nota de repúdio assinada, até o fim da sessão de ontem, por 11 deputados da base: “Patrício age em benefício próprio, pois impedindo a eleição por ele mesmo convocada no dia anterior, permanece na condução da Casa praticando atos atentatórios à dignidade e ao decoro”.
A resposta aos torpedos lançados pelos distritais que apoiam Arruda foram interceptados por Paulo Tadeu, representante da oposição na CPI da Codeplan. O petista chamou Batista das Cooperativas de cínico e comparou o colega a um capitão do mato, que “recebe do chefe maior determinação para punir, assassinar, desmoralizar”.
Sem clima
Quem ficou de fora do tiroteio, mas assistiu à pancadaria de camarote, acha que falta ambiente na Câmara para a condução dos trabalhos de investigação. “As denúncias de desvio de recursos públicos devem ser apuradas com rigor e esse trabalho não é compatível com uma troca de ofensas que em nada serve para o objetivo esperado pela população do Distrito Federal”, considerou José Antônio Reguffe (PDT).
Depois da batalha entre governo e oposição, a reunião da CPI foi fechada por Batista sem avançar em nada. Estão agendadas para hoje a escolha do quinto integrante da comissão e, em seguida, a eleição do distrital que vai presidir o grupo de investigações.
Em nota à imprensa alheia ao bombardeio dos governistas, Patrício avisou que a posse dos deputados suplentes, ansiosos com o ingresso na Câmara Legislativa, ocorrerá em “momento oportuno” que, segundo informa, virá a partir do funcionamento da Comissão de Constituição e Justiça e da Comissão Especial. A previsão para eles assumirem os trabalhos seria a próxima segunda-feira, mas — em vista da confusão instalada na Casa — não se sabe se isso ocorrerá. Depois da posse, Patrício vai receber dos novos integrantes os pedidos “por escrito de suas necessidades humanas e materiais para o exercício das atividades legislativas”.
1 – Regimento
Segundo o parágrafo 4º do Artigo 60 do Regimento Interno da Câmara Legislativa, o presidente da Casa somente poderá integrar comissão temporária de representação, o que o impede, por exemplo, de ser membro de uma CPI.
AFASTAMENTO PEDIDO
A líder do PT na Câmara, distrital Érika Kokay, ingressa hoje com pedido, no Ministério Público e no Tribunal de Contas, de afastamento preventivo do secretário de Ordem Pública e corregedor do DF, Roberto Giffoni. Para a petista, Giffoni deve ser desligado dos dois cargos enquanto é investigada a participação dele no escândalo revelado pela Operação Caixa de Pandora. “Não entendo por que ele teve tratamento diferente dos outros secretários, foram afastados com as denúncias”, disse Érika. Giffoni rebateu: “Por iniciativa própria, já me encontro afastado desde dezembro da Corregedoria”. Em nota, o secretário acusou a distrital. “(Ela) quer me afastar por citações, mas quando investigada formalmente, por recebimento de parte dos salários dos funcionários do seu gabinete, situação até hoje não esclarecida, sequer se afastou do exercício do mandato.”
Um homem de 37 anos deu uma birra, virou as costas para 19 distritais e foi embora. Isso não se faz. O colega deveria se comportar como um general e não como um cabo de segundo, terceiro escalão” Batista das Cooperativas (PRP), vice-presidente da CPI da Codeplan, referindo-se a Cabo Patrício
Lamento que Vossa Excelência aja de maneira cínica para atacar os parlamentares dessa Casa. Espero que a atitude de capitão do mato, que recebe do chefe maior ordem para punir, assassinar e desmoralizar, não seja por Vossa Excelência seguida” Paulo Tadeu (PT), integrante da CPI da Codeplan, em relação a Batista das Cooperativas
O presidente em exercício valeu-se de uma nota infame e caluniosa para trazer suspeição e vergonha a todos os parlamentares da Câmara Legislativa” Geraldo Naves (DEM), em nota de repúdio assinada por 11 deputados da base e lida em plenário






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