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mar 31

DURVAL REAPARECE E FAZ AMEAÇAS – Correio Braziliense

  • 31 de março de 2010
  • Notícias

Delator do suposto esquema de corrupção manda recados aos deputados, não responde a nenhuma pergunta da CPI e diz que se autoincriminou porque não aguentava mais achaques de Arruda e Paulo Octávio

Adriana Bernardes

Na primeira aparição pública desde que a Operação Caixa de Pandora foi deflagrada pela Polícia Federal há quatro meses, Durval Barbosa, delator do suposto esquema de corrupção, fez acusações e mandou recados. Na sessão extraordinária da CPI da Codeplan, ele afirmou que teve a coragem de se autoincriminar “porque não aguentava mais os achaques do ex-governador Arruda, do ex-governador Paulo Octávio, de secretários e deputados envolvidos”. Garantiu ainda que o “o rolo compressor vem aí e nem começou. Quem tiver sua culpa que assuma…”, disparou.

O principal personagem do escândalo de corrupção no Distrito Federal conquistou na Justiça o direito de não responder às perguntas dos integrantes da CPI. Poderia até permanecer calado, se assim julgasse conveniente. A sessão durou apenas 40 minutos. Durante esse tempo, Durval Barbosa falou por oito minutos, no máximo. O pouco que se ouviu dele foi em resposta, principalmente, às provocações do deputado Batista das Cooperativas (leia quadro ao lado).

Na sessão da CPI da Codeplan, ficou evidente que o silêncio de Durval não é porque ele já não tem mais o que falar. Ele deixou claro que, ao se negar a colaborar com a CPI, o fazia por não confiar na Câmara Legislativa e porque seu compromisso é com os órgãos, como Polícia Federal e Ministério Público, onde prestou depoimento. “Eu me assegurei ao direito de não falar justamente para não atrapalhar as investigações”, afirmou.

Defesa

Os advogados de defesa do ex-governador José Roberto Arruda (sem partido), preso desde 11 de fevereiro acusado de tentar subornar o jornalista Edson Sombra, e do ex-vice-governador Paulo Octávio, desclassificaram as afirmações de Barbosa sobre os supostos achaques que teria sofrido dos dois chefes do Executivo.

Antônio Carlos de Almeida Castro, advogado de Paulo Octávio, disse que a palavra de Durval Barbosa não tem nenhum valor jurídico. E que a sociedade não merece ficar refém “desse cidadão”. Segundo Antônio Castro, o delator só conseguiu apresentar vídeo de 5% das denúncias feitas até agora. “Ele tem que provar isso (os achaques). O ‘Durval vídeo’ vale alguma coisa, desde que periciado pela PF e comprovada a veracidade das gravações. Não temos porque responder à pessoa que ataca indeterminadamente as pessoas sem nenhuma prova ou testemunha que corrobore com o que ele fala”, defendeu o advogado.

Nélio Machado, um dos advogado de defesa de Arruda, seguiu a mesma linha. Disse que Durval se caracteriza pelo prontuário de antecedentes negativos. “A Justiça já o identificou, há algum tempo, como sendo, na verdade, um meliante. Pessoa que agiu à margem da lei traindo a confiança e tentando fazer extorsões”, acusou. Machado desafiou Durval a fazer todas as denúncias que tiver a fazer. E disse que Arruda falará em juízo, após ter acesso irrestrito ao inquérito do Superior Tribunal de Justiça. “Não estou brincando de defender o governador Arruda. Eu confio na liberdade dele e vou lutar por isso. A prisão dele hoje é desnecessária e ultrapassa qualquer limite de razoabilidade”, disse.

Lista

Ao contar o que sabia para a PF e o MP em troca da delação premiada, o ex-secretário de Relações Institucionais já derrubou o então governador José Roberto Arruda (sem partido), o vice-governador Paulo Octávio (sem partido). Suas denúncias obrigaram dois distritais, Leonardo Prudente (sem partido) e Júnior Brunelli (PSC), a renunciarem ao mandato. A lista de deputados e suplentes envolvidos seria composta por 26 nomes, muitos deles ainda desconhecidos.

Os integrantes da CPI já esperavam o silêncio de Durval Barbosa, mas foram surpreendidos com as insinuações dele de que não confiava na Câmara Legislativa. “Eu não quero gozar da confiança do depoente não, muito pelo contrário”, disse Batista das Cooperativas. O deputado disse que não se sente ameaçado pelo “rolo compressor” que Durval disse estar por vir. “Eu sou governista, vou ser sempre ser governista e estarei ajudando o Estado, votando no que é bom e rejeitando o que é ruim. Quem não deve, não teme”, afirmou.

Próximos passos

Após o depoimento de Durval Barbosa, os integrantes da CPI da Codeplan decidem hoje quais são os próximos passos. A presidenta da comissão, deputada Eliana Pedrosa, disse que, para evitar as dificuldades de convocação dos supostos envolvidos no esquema denunciado por Barbosa, a CPI vai usar o elemento surpresa na convocação.

Na próxima segunda-feira, os integrantes da CPI vão ouvir os representantes da TBA e da Adler Assessoramento Empresarial. Segundo Durval Barbosa, essas duas empresas alimentavam esquema de pagamentos a deputados da base de apoio ao governo. A deputada não descarta a possibilidade de a CPI ouvir o ex-governador José Roberto Arruda (sem partido) e do ex-vice-governador Paulo Octávio, como sugeriu Barbosa ontem.

Colaborou Noelle Oliveira

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