Armas de fogo abrem as portas da copa sem disparar um tiro
Projeto da Lei Geral prevê desconto no ingresso na troca por armamento
BRASÍLIA. O Projeto da Lei Geral da Copa prevê que quem entregar armas de fogo terá direito a ingressos mais baratos. A medida foi incluída pelo relator, deputado Vicente Cândido (PT-SP). A votação do texto, programada para ontem, foi adiada para amanhã.
O projeto prevê, ainda, que estudantes, indígenas e pessoas de baixa renda poderão comprar entradas a preços diferentes – a ideia é que custem US$25. Os idosos foram retirados deste grupo, mas continuarão tendo direito à meia-entrada, prevista no Estatuto do Idoso. Outra mudança feita na proposta é que as bebidas alcoólicas sejam liberadas nos estádios, mas apenas durante o Mundial.
Bebidas alcoólicas autorizadas só na Copa
O deputado Vicente Cândido retirou do texto o trecho que dizia que a permissão de venda de bebidas alcoólicas seria permanente. Agora, a autorização só valerá na Copa. As bebidas, que inicialmente só seriam vendidas nos bares e nos camarotes, estarão disponíveis em todas as áreas do estádio, como as arquibancadas, onde só poderá ser servida em copos de papel. A mudança foi feita para não alterar o Estatuto do Torcedor. O governo estava dividido, com o Ministério da Saúde contra a liberação e o do Esporte a favor. O relator negou que sua decisão seja um constrangimento para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
– O ministro está fazendo o papel que tem que fazer, de combate severo ao excesso de bebida. Mas acho enviesado o discurso de que o problema da embriaguez é só nos estádios. Pelo contrário. Nos estádios é onde isso menos acontece. As pessoas vão ao estádio para torcer, não para beber – argumentou Cândido.
Com relação aos ingressos, esta categoria mais barata faz parte do chamado “grupo quatro”, que prevê uma cota de 300 mil entradas baratas. Destas, metade seria para os estudantes e o restante dividido entre torcedores de baixa renda, indígenas e aqueles que entregarem armas. Este incentivo ao desarmamento será regulamentado por um convênio que ainda não está detalhado.
O relator também incluiu no seu parecer a previsão de que as escolas públicas antecipem suas férias, para que os alunos estejam livres para acompanhar todos os jogos da competição e o trânsito ganhe um refresco extra. O texto não fixa datas e cada instituição definirá seu calendário como quiser. Outra alteração no projeto original da Lei da Copa é que o comércio localizado ao redor dos estádios – uma área sob administração da Fifa – poderá continuar operando normalmente. Havia uma disputa em torno dessa área para que apenas lojas que estivessem vendendo artigos relacionados à Copa do Mundo pudessem funcionar.
Mudanças de última hora adiam a votação
A votação do projeto foi adiada porque não havia acordo sobre alguns pontos do texto. Além disto, deputados da Comissão Especial que está analisando o assunto argumentaram que mudanças de última hora foram feitas e eles não tiveram tempo de estudá-las.
– Um projeto desta natureza só prospera se tiver acordo. Ninguém quer votar atordoadamente – explicou o relator.
Um grupo de estudantes, empunhando faixas da UNE acompanhou a sessão. Eles não protestaram durante a discussão, mas ocuparam grande parte do plenário com o objetivo de marcar posição para que os deputados não mudassem de ideia quanto à venda de ingressos baratos para a categoria.
Fonte: O Globo






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