O governador interino do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), não conseguiu marcar uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já cogita renunciar ao cargo, conforme comunicou ontem em reserva a líderes de seu partido.
Além da fragilidade interna no governo, Paulo Octávio também tem que responder a problemas no seu próprio partido. Na semana que vem, o DEM deve se reunir para analisar o pedido de expulsão, a ser feito pelo senador Demóstenes Torres (GO) e o deputado Ronaldo Caiado (GO), contra o governador interino.
Por enquanto, lideranças nacionais da legenda resistem em expulsá-lo, mas dão como certa uma intervenção no diretório local. E para continuar apoiando Paulo Octávio, o DEM já exigiu a saída de todos os seus secretários. Além disso, eles já articulam que o interino mande rever todas as licitações do governo e cancele todos os empenhos em andamento.
Paulo Octávio via na possível audiência com Lula uma oportunidade de se fortalecer politicamente no cargo. Na pauta do governador interino, havia ainda o pedido para que o presidente o ajude a retirar o mensalão do DEM do foco da festa de aniversário de 50 anos de Brasília, em abril.
No entanto, Lula recusou, por ora, o pedido de audiência feito nos últimos dias. Lula resiste a receber o governador interino por conta da instabilidade política no DF. Não quer partidarizar o caso e, ao mesmo tempo, pretende aguardar os próximos passos da Justiça. Com o pedido de intervenção feito pela Procuradoria-Geral da República, Octávio pode permanecer poucos dias na cadeira de governador.
A intenção de integrantes do DEM por enquanto é levar adiante os trâmites formais de um processo de expulsão e aguardar para ver se surge algo de novo contra o governador interino. Além disso, o DEM também já dá como liquidada a chance de ter um candidato ao governo na eleição. O próprio Paulo Octávio já disse que não pretende se candidatar.
O governador afastado, José Roberto Arruda (sem partido), está preso desde a última quinta sob acusação de obstrução da investigação sobre suposto esquema de corrupção.
Arruda enfrenta na Câmara Legislativa três pedidos de impeachment.






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