“Eu não acredito nos testes”. A frase à respeito da metodologia utilizada para realizar exames criminológicos em pessoas que cumprem pena em regime fechado é da psicóloga Adriana Pedrosa, cujo trabalho de mais destaque foi realizar uma avaliação no criminoso carioca conhecido como Fernandinho Beira Mar.
Para ela, os testes não são confiáveis e, por isso, recebeu bem a notícia de que o Conselho Federal de Psicologia (CFP), como divulgou ontem o Jornal de Brasília, proibiu os psicólogos do Brasil de realizarem esse tipo de exames em detentos, que serve, entre outros aspectos, para auxiliar o juiz a elaborar o laudo de progressão de pena, determinando se o detento está ou não apto a retornar ao convívio social.
A psicóloga explica que o modelo de exame existente hoje é incompatível com o cenário carcerário brasileiro. “É uma realidade hoje que os presídios nacionais, em sua maioria, estão superlotados. Muitos chegam a comportar até o triplo de sua capacidade, alguns até mais do que isso”, aponta a psicóloga. “Assim, os presídios brasileiros não oferecem condições para que o detento tenha a possibilidade de se reabilitar enquanto cumpre a pena. E não é um exame, feito em um único dia, que vai mudar essa realidade”, conclui.
José Carlos Cabral, conhecido virtualmente como AshCatium, de 25 anos, concorda com as palavras da psicóloga. O jovem passou três anos de sua vida detento em uma penitenciária e considera até que a presença de um psicólogo nesse tipo de ambiente não é prioridade para o que acontece ali. “Não tem lógica um psicólogo em uma cadeia. É a mesma coisa de você colocar um monte de cachorros em uma única sala, bater o dia inteiro, e, de noite, querer fazer carinho”, relata. “E esses exames, para mim, não servem de nada. É um papo furado que você bate com o psicólogo. Se você ensaiar bem o que falar, você é liberado”, finaliza.






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