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dez 10

FORÇA-TAREFA NOS CONFINS DO PAÍS – Correio Braziliense

  • 10 de dezembro de 2009
  • Notícias

Para conter o aumento da violência nas áreas de fronteira, polícias federais passarão a atuar em conjunto com as secretarias estaduais. Agentes serão treinados para o trabalho de inteligência contra o tráfico de drogas, principalmente o crack

Diagnóstico sobre homicídios no país, feito pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), colocou em alerta as autoridades federais e dos 11 estados que fazem divisa com outros países: as taxas dos crimes de morte aumentam em grande velocidade e hoje, nessas regiões, já são maiores se comparadas a cidades fora das zonas fronteiriças. Isso motivou a criação de uma força-tarefa envolvendo as áreas de inteligência da Senasp e polícias Federal e Rodoviária que passarão a trabalhar em conjunto com as secretarias de segurança estaduais a partir do próximo ano.

Durante três dias, mais de 70 especialistas em inteligência de vários órgãos públicos se reuniram em Brasília para discutir o problema da fronteira, principalmente em alguns estados onde não apenas cresce a criminalidade, mas também o tráfico de drogas e de armas. No mês passado, uma série de reportagens do Correio mostrou como a cocaína chega com facilidade e se alastra pelo país. Em princípio, a Polícia Especializada de Fronteira (Pefron) vai atuar em áreas definidas pelos setores de inteligência do governo federal e estados.

Segundo dados da Senasp, anualmente ocorrem cerca de 125 mil apreensões de droga na fronteira do Brasil e de outros países, principalmente da Bolívia, Paraguai, Colômbia e Peru. Além disso, a PF e PRF conseguiram tirar de circulação 80 mil armas que chegariam ilegalmente ao país. Porém, o problema continua com o avanço da produção de cocaína na Bolívia e no Peru, que tem reflexos no Brasil, a ponto de a Polícia Federal destinar cerca de 600 policiais recém-formados exclusivamente para a Amazônia.

A atuação conjunta vai começar em 2010, quando policiais dos 11 estados serão treinados na área de inteligência. O trabalho será feito dentro do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), que tem uma área voltada exclusivamente para as regiões de fronteira. Além do tráfico de droga e armas, a força-tarefa vai atuar no combate ao roubo de gado — que ocorre com frequencia na fronteira sul do país —, contrabando e exploração sexual, além de furto de veículos. No Brasil, cerca de 400 mil carros são roubados anualmente e, muitas vezes, servem como moeda de troca para a aquisição de droga.

No encontro realizado em Brasília, os especialistas decidiram que o modelo de atuação será baseado no Grupo Especial de Operações de Fronteiras (GEOF), de Mato Grosso, e no Departamento de Operações de Fronteiras (DOP), de Mato Grosso do Sul. Os estados são os que mais apresentam problemas com o tráfico de drogas, assim como o Acre e Rondônia. É por Guayaramerín, na Bolívia, que chega a maior parte da cocaína consumida no Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.

Segundo o coordenador-geral de Repressão à Entorpecentes da Polícia Federal, Luiz Cravo Dórea, é praticamente impossível fazer uma fiscalização efetiva nos 3,4 mil quilômetros de fronteira entre os dois países, mas a situação não está preocupando apenas no Norte do país. Tanto a PF quanto a polícia do Rio Grande do Sul está detectando um avanço no tráfico de drogas no Sul, disseminando o crack(1), que atingiu dezenas de pequenas cidades gaúchas. Em várias capitais, como Porto Velho, os índices de criminalidade mostram que a maioria dos homicídios registrados nos últimos três anos tem vinculação com droga, principalmente a cocaína, comprovando o diagnóstico feito pelo governo federal.

1 – Rincões

A série A droga que descobriu o Brasil mostra o avanço do crack pelos rincões do país. As reportagens mostraram desde a entrada da cocaína pelas fronteiras até sua utilização pelo interior como a pedra da morte, como ficou sendo conhecido o crack

O número

125 mil

apreensões de droga no país ocorrem anualmente

 

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