O governador de Brasília, José Roberto Arruda (sem partido), encontra-se hoje com o ministro da Justiça, Tarso Genro. Apesar de Arruda ser um dos protagonistas da Operação Caixa de Pandora, que investiga um esquema de propina no governo do Distrito Federal, o tema da conversa deve ser o Pronasci – programa do governo Federal para tentar erradicar a violência. Em Brasília, o projeto estaria, segundo o ministro da Justiça, surtindo efeito na cidade-satélite de Itapuã, localizada em um bairro pobre da capital Federal.
Genro será a primeira autoridade do governo Federal com quem Arruda se encontrará desde que a crise política estourou, no dia 27 de novembro. Após a descoberta do mensalão do DEM do Distrito Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou um projeto ao Congresso Nacional tornando crime hediondo e inafiançável o desvio de dinheiro público. No dia 8 de dezembro, a Executiva Nacional do PT chamou o escândalo de “panetonegate” e aproveitou para atacar os adversários que denunciaram e criticam o mensalão Federal do PT, dizendo que “o estrago político coloca por terra o discurso hipócrita dos falsos vestais do DEM no Distrito Federal, numa reprise ainda mais chocante dos escândalos do PSDB de Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul, e de Eduardo Azeredo, em Minas Gerais”.
O pedido de reunião foi feito pelo próprio governador brasiliense, na semana passada. Genro não acredita que Arruda fará alguma reclamação sobre as investigações da PF. “Se ele me perguntar algo, direi que as investigações estão sendo conduzidas pela PF e pelo Ministério Público”.
Genro lembra que, se isso acontecer, não será a primeira vez que será cobrado por uma investigação feita pela Polícia Federal. Quando o ex-governador do Maranhão Jackson Lago foi citado na Operação Navalha, que investiga a relação de governantes estaduais com a Construtora Gautama, o político maranhense veio pessoalmente a Brasília pedir explicações do ministro. O ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) também ligou para queixar-se de ter sido grampeado durante a Operação Satiagraha, conduzida pelo delegado Protógenes Queiroz. “Meu cargo acaba levando a isso: preciso manter a relação institucional com pessoas que, em certos momentos, tornaram-se protagonistas de investigações da PF. Não digo que elas são culpadas, estou apenas afirmando que elas são protagonistas de inquéritos policiais”, afirmou. (PTL)






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