Ninguém está seguro, nem mesmo dentro das escolas. O medo é o sentimento mais presente no cotidiano das famílias. Agora, mais do que nunca, além de visitar constantemente nossas casas, as salas de aula já não oferecem segurança. Salas de escolas onde jovens tentam conseguir conhecimento e apoio necessários à aquisição da cidadania, detalhe demagógico garantido pela Constituição Federal.
Estudos realizados demonstram o tamanho do problema que acontece dentro e fora dos muros das escolas, sendo elas públicas ou particulares. Mas, como a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, os estudantes de escolas do Governo ficam a deriva e a espera da própria sorte. Falta policiamento, falta segurança, falta incentivo para o professor, falta apoio das instituições públicas – falta atitude.
Gangues amedrontam o cotidiano dos alunos e professores, fazendo ameaças, furtando e depredando o pouco que se tem. E muita vezes, em troca de nada, apenas para impor o poderio daqueles que também não tem nada e se aliam para despejar nos mais fracos, todo o ressentimento do lixo social. Esses garotos e garotas que se juntam para fazer o mal, roubando e pichando, traficando e esmurrando, também são fruto de um processo violento marcado pela ausência do poder público.
Na medida em que o jovem só vive em meio a violência, o resultado desse processo também é violento. Quando a família, desestruturada pelas dificuldades do cotidiano, não sente prazer em oferecer um carinho a um filho, ou não consegue tempo para uma brincadeira, fomenta a revolta. O jovem vai crescendo, querendo resolver os problemas de sua vida medíocre, aparecendo e chamando atenção com atitudes negativas e que culminam em violência.
Muitas comunidades, em que esses jovens vivem, tem programas de incentivo nas escolas, como oficinas e esportes, mas, ainda assim, não conseguem obter um sentimento que não esteja repleto de angústia e dor. Resultado que aumenta os índices da insegurança e que é apenas o reflexo daquilo que sempre receberam, violência. Fomentada por grupos unidos pelos mesmos problemas, com as mesmas origens e carentes das mesmas soluções.
A polícia então entra em ação para resolver a questão social da forma mais tradicional possível: cacetete e butinada. O problema é que o policial de rua não encontra outra solução. Normalmente cresceu no mesmo meio, também violento, recebeu treinamento violento nas academias policiais e cursos que freqüentou, nos quartéis e delegacias chega pressão a todo o momento: muito serviço e ordens que não devem deixar de ser cumpridas.
POLICIAIS DESPREPARADOS AUMENTAM A CRISE
Outro dia assisti no noticiário, um episódio que reforça a teoria da falta de qualificação profissional. Uma aluna de uma escola da periferia percebendo o desaparecimento de seu dinheiro denunciou o fato aos professores, que prontamente chamaram a polícia na tentativa de resolver o problema. Chegou uma equipe do batalhão escolar e começou a investigação separando os meninos, revistando seus pertences e os obrigando a ficarem todos nus, impondo constrangimento e trauma, e o pior, sem descobrir a autoria do furto.
Independentemente do crime, os direitos do cidadão, seja ele jovem ou adulto, devem ser preservados. É certo que a polícia deve investigar, mas antes deve aprender como fazê-lo, pois exemplos como esse acontecem diariamente e só colaboram para afastar a pessoa de bem do policial. A polícia é temida, porém, não é bem vista e muito menos respeitada.
E o pior é que até o cidadão de bem, que nada fez de errado, quando percebe a aproximação da polícia se sente desconfortável e até com medo. Medo de que? Medo de ser mal tratado e obrigado a dizer o que não sabe. Generalizou-se então que a polícia é ruim e todos os policiais são cruéis. Todos sabem que o fato não é bem assim e temos na polícia verdadeiros heróis, porém alguns casos isolados acabam por polemizar e todos arrastam o estigma da brutalidade e violência.
É necessário que as corregedorias policiais sejam atuantes, sem corporativismo, mas sem injustiças e que as academias policiais formem os alunos para enfrentar o crime, porém sabendo que nem todos são criminosos, mudando o paradigma do trabalho policial. No exemplo da aluna que teve seu dinheiro roubado, fica claro o despreparo daquela unidade. Um batalhão escolar deve ser especializado nos assuntos infanto-juvenis, assim como o policial de trânsito deve conhecer as leis específicas. É preciso aprender como enfrentar cada tipo de situação e não apenas receber uma arma e farda, sendo deixado pela instituição refém da própria sorte, pois o fruto de uma má formação será colhido por toda a sociedade.
Dentro dessa visão sistêmica, o policial que trabalha em operações especiais deve ser especial e receber tratamento especial. Assim, com especialidade promover um bom trabalho e não apenas ser obediente, ter cara de mal, ser alto, forte e usar roupa preta. Deve ser bem formado e então certamente será respeitado e admirado, o que não acontece nos dias de hoje.
PROFISSIONAIS DESMOTIVADOS
Outro fator preocupante quando o assunto é violência nas escolas, é o baixo índice de motivação dos profissionais de ensino. Este é o mais importante de todos no processo educacional. Baixos salários, péssimas condições de trabalho, muito pouco investimento em qualificação e capacitação o impedem de promover um trabalho eficiente com resultados eficazes.
A juventude não pode ser abandonada pelas instituições governamentais, e deve ter acesso ao esporte, cultura e lazer. A mente vazia é local ideal para a implantação de idéias perigosas e a falta de atividade, um fator extremamente maléfico. As escolas devem promover atividades extracurriculares, integrando o aluno à comunidade como um todo, com atividades físicas, teatro, esporte, artesanato, palestras, etc.
A sociedade civil vem observando exatamente o contrário, escolas fechando à noite por falta de segurança, alunos sem ter o que fazer e no horário de funcionamento é cercada de temor e insegurança, tanto para os pais e alunos como para os profissionais que ali trabalham.
É necessário que estudos sejam produzidos buscando interação com todos os personagens dessa engrenagem: Governo, polícia, professores, alunos, família, igreja e as comunidades em geral, pois quando além de troca de informações acontecer uma busca comum por resultados positivos, certamente se encontrará um ponto de equilíbrio, que proporcionará tranqüilidade, chegando mais perto da tão sonhada segurança pública.
(*)CLÁUDIO AVELAR é Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no DF, bacharel em Direito e Administração, especialista em Direito Público.






Comments are closed.