Foi ele quem conseguiu convencer o Supremo Tribunal Federal (STF) a manter sob sigilo o conteúdo do disco rígido apreendido pela PF, durante a Operação Chacal, na sede do Opportunity Fund, no Rio de Janeiro. Essa decisão, tomada pela ministra Ellen Gracie, em 2005, frustrou a PF e a cúpula do Ministério Público que, na época, investigavam repasses de dinheiro por companhias telefônicas ligadas ao grupo Opportunity (Brasil Telecom, Telemig e Amazônia Celular) para o principal operador do mensalão, o publicitário Marco Valério. Foi por causa dela que o MPF desmembrou o inquérito do mensalão, tirou Daniel Dantas do rol dos denunciados e remeteu-o a outro procedimento investigatório, que culminou na Operação Satiagraha, em julho de 2008.
Também foi Kakay quem obteve perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no ano passado, a anulação de dois anos de escutas telefônicas feitas numa operação da PF. “Essa foi uma das decisões mais importantes da história do STJ”, afirmou, sem revelar o nome do cliente para o qual atuou. “Mais importante que ela foi o Gilmar ter sido grampeado”, completou, referindo-se ao suposto grampo no gabinete do presidente do STF, Gilmar Mendes, que gerou uma crise entre o tribunal e a PF.
Kakay considera-se, hoje, um advogado grampeado. Admite que viaja “quatro vezes mais do que precisava” para conversar com os seus clientes pessoalmente. Em algumas vezes, faz viagens internacionais. O problema, segundo ele, não é ser ouvido pela PF, mas o que ele chama de “tira hermeneuta”. Trata-se do delegado que interpreta crimes a partir de trechos de conversas.
Um exemplo: Kakay representou contra um procurador da República atendendo a um pedido do banqueiro Salvatore Cacciola, que se sentia ofendido por declarações na imprensa. O pedido foi feito pelo telefone. A ligação foi interpretada como uma tentativa de Cacciola utilizar a influência do advogado para interferir indevidamente no Ministério Público. “Se falamos de maneira cifrada, o tira hermeneuta interpreta a conversa como achar melhor”, adverte.
Crítico da PF, Kakay não perde a esportiva com a instituição. Ele considera a PF bastante competente e elogia o delegado Paulo Lacerda, que, no comando da instituição, entre 2003 e 2007, levou-a a bater todos os recordes em números de prisões e de operações. “Conheço o Paulo Lacerda como um cara sério, competente, que não faz achaque.”
Por outro lado, acredita que a PF se perdeu em meio à glamurização das operações. “A sociedade de massa se exorciza com a prisão de ministros e políticos”, lamentou. “Não aprecia o direito de defesa”, completou, referindo-se à sua função.
Kakay reclama contra investigações abertas a partir de denúncias anônimas e prisões feitas para investigar a pessoa depois. “Isso é um absurdo. Hoje, investigações são feitas para confirmar hipóteses pré-concebidas de acusação.” Mas, são essas práticas que intensificaram a sua atuação na defesa de empresários, banqueiros, políticos e o transformaram num dos advogados mais influentes do país.






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