MÁRCIO FALCÃO
Preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, o suplente de deputado distrital Geraldo Naves (DEM) pode assumir uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Segundo o presidente interino da Casa, Cabo Patrício (PT), se houver uma autorização da Justiça, não há impedimento para a posse, tendo em vista que ele é suplente do ex-deputado Júnior Brunelli (PSC), que renunciou ontem ao mandato.
Brunelli deixou a Câmara para evitar o processo de cassação. O ex-deputado é protagonista do vídeo que ficou conhecido como oração da propina.
Cabo Patrício disse ainda que a Casa teria que assumir a custódia, mas não explicou os detalhes de como funcionaria o sistema porque esta seria uma situação nova. “[Naves] pode tomar posse desde que a Câmara assuma a custódia e o STJ [Superior Tribunal de Justiça] autorize”, disse.
Naves está preso há 18 dias. A custódia dele foi decretada pela Justiça juntamente com a do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido) e mais quatro pessoas. Eles são acusados de obstruir as investigações do esquema de arrecadação e pagamento de propina ao tentar subornar o jornalista Edson dos Santos, o Sombra.
Pelas regras da Câmara, Naves tem 30 dias para informar à Casa se vai ou não assumir o mandato. A defesa do suplente entrou no STF (Supremo Tribunal Federal) com pedido de liberdade. Segundo os advogados, se ganhar liberdade, Naves deve assumir e se licenciar para responder as denúncias.
Para a vaga de Naves, a Câmara deve chamar Washington Mesquita (DEM), que é o segundo suplente. Se deixar o presídio, Naves pode ainda sofrer um processo de expulsão no partido. Com as denúncias, o DEM ameaçou Arruda e o ex-vice-governador Paulo Octávio de processo disciplinar, e os dois acabaram se desfiliando.
Naves foi preso porque, segundo Sombra, teria intermediado a tentativa de suborno. A prisão dele, de Arruda e dos aliados foi decidida pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Pesou contra Arruda um bilhete escrito por ele e entregue por Naves ao jornalista. A Polícia Federal acompanhou a tentativa de suborno prendendo, em flagrante, Antonio Bento, com R$ 200 mil. Segundo Sombra, Arruda queria que comprar um pacote de serviços que incluía uma declaração do jornalista afirmando que os vídeos gravados por Durval Barbosa, delator do esquema, teriam sido editados.
Também foram presos o ex-secretário de Comunicações Wellignton Moraes e o ex-diretor da CEB (Companhia Elétrica de Brasília), Haroaldo Brasil, e Rodrigo Arantes, sobrinho de Arruda.






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